Cooperativismo e justiça financeira

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O cooperativismo é uma eficiente forma de vencer os desafios/Arquivo/Sicredi

As instituições conseguem obter um saldo positivo e essa é a grande vantagem do cooperativismo: o resultado não vai para um acionista

Por Diogo Mafia – SP

As sobras – ou também conhecidas como resultado financeiro – são o resultado do trabalho realizado ao longo do ano em uma cooperativa de crédito. Nesse modelo de negócio, são oferecidas taxas mais competitivas no mercado, seja para emprestar dinheiro, seja para captar recursos.

Ainda assim, as instituições conseguem obter um saldo positivo e essa é a grande vantagem do cooperativismo: o resultado não vai para um acionista, como no modelo tradicional, mas é dividido entre os seus cooperados.

Nesse sentido, ao compararmos bancos e cooperativas financeiras, a diferença essencial é que um banco pertence, normalmente, a algum grupo pequeno de acionistas. O controle decisório, portanto, está na mão de poucas pessoas e, consequentemente, o controle do retorno.

Já a cooperativa trabalha com taxas mais justas, exatamente porque os donos são os próprios usuários. Neste ponto, está o que os difere substancialmente, porque além das taxas mais favoráveis ao longo de todo o ano, ainda há o excedente distribuído, que é uma forma muito mais proveitosa de destinar esse recurso.

Tal distribuição acontece na mesma proporção do uso que o cooperado fez da cooperativa, seja aplicando dinheiro, realizando empréstimos ou contratando produtos e serviços, o que garante a justiça financeira, que é um dos princípios do cooperativismo. Isso é muito importante porque assegura que o dinheiro continue circulando em um alcance muito maior do que empresas de capital convencionais.

Em consolidação do modelo, as cooperativas financeiras, nos últimos quatro anos, dobraram suas participações no mercado brasileiro, apesar de ainda observarmos uma participação muito menor do que se nota em países como França e Alemanha, por exemplo, que estão em um patamar acima de 50%.

Contudo, já atingimos a marca de 10% e existe, inclusive, incentivos do Banco Central do Brasil para que as cooperativas consigam atingir 20% do mercado.

Esse movimento de retirar o controle do meio financeiro de apenas quatro ou cinco instituições é importante porque torna o mercado mais competitivo, o que beneficia o consumidor, uma vez que obriga as instituições financeiras convencionais a aprimorarem sua prestação de serviço. Assim, as cooperativas conseguem melhorar direta e indiretamente o mercado.

Em suma, é importante destacar que embora em alguns países o cooperativismo já tenha uma predominância de mercado maior do que aqui no Brasil, o modelo tem avançado aqui e conseguido alcançar números significativos.

Os resultados expressivos apresentados pelas instituições, relacionados ao ano de 2023 e anos anteriores, demonstram a solidez e a segurança para deixar os cooperados cada vez mais engajados em investir nas suas cooperativas para fortalecer o modelo, que produzirá mais e atenderá cada vez mais suas necessidades.

(Diogo Mafia é diretor-presidente do Sicoob UniCentro Br)

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