Inauguração oficial da UnB, sem Goulart, sem Juscelino e sem Tancredo

UnB campus Darcy Ribeiro DF Misto Brasil
Detalhes da arquitetura do prédio da Universidade de Brasília/Arquivo/UnB

Eles grandes líderes políticos da época mandaram cartas que foram lidas no ato da solenidade de inauguração em abril de 1962

Por Sérgio Botelho – DF

No segundo aniversário de Brasília, em 21 de abril de 1962, ainda durante o governo de tipo parlamentarista de João Goulart, entre outras solenidades, foi inaugurada oficialmente a Universidade de Brasília (UnB).

A nova instituição, embalada no formato de uma fundação, com poderes para se reger e com isso se afastar da burocracia estatal, tinha como pilares educacionais o antropólogo Darcy Ribeiro e o educador Anísio Teixeira.

Na concepção dos prédios, o arquiteto Oscar Niemeyer.

A ideia geral era a de edificar uma instituição de ensino superior que provocasse uma revolução no ensino superior brasileiro.

Como a antecipar as crises que a UnB iria atravessar em seus primeiros anos, da festa de inauguração, no que diz respeito às principais autoridades federais, somente estiveram presentes o ministro da Educação Antônio Ferreira de Oliveira Brito, deputado federal pelo PSD da Bahia (que mais na frente, durante o período ditatorial, se filiou à Arena), o prefeito José Sette Câmara Filho, mineiro de Alfenas, diplomata de carreira e ex-governador do Rio de Janeiro, o ministro-chefe da Casa Civil, o também baiano Hermes Lima (que viria a ser nomeado membro do Conselho Diretor da UnB, do Conselho Federal de Educação e, na sequência, ministro do Supremo Tribunal Federal, além de ter findado eleito para compor a Academia Brasileira de Letras-ABL).

O presidente João Goulart não compareceu, frustrando expectativas, nem o primeiro-ministro Tancredo Neves, assim como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, esperado por cerca de duas horas, nas festas de segundo aniversário de Brasília, sem sucesso.

Também o povo não se fez presente na medida da importância da data e do fato, segundo registrou a imprensa na época.

No lugar de João Goulart, Tancredo e Juscelino, vieram suas cartas, as quais, após a bela apresentação do Coral da Universidade de Minas Gerais, que cantou o Hino Nacional, foram lidas e muito aplaudidas durante o evento.

“Brasília projetou uma dimensão até então desconhecida, seja no ritmo do desenvolvimento brasileiro, seja no progresso da integração nacional”, escreveu Goulart.

“Em Brasília principiam a nascer os grandes caminhos do Brasil sonhados pelos patriotas de todas as épocas de nossa história”, dissertou Tancredo Neves.

“De Brasília deverá ser retomada a marcha pela restituição da dignidade e da plenitude da democracia”, assinalou Juscelino. Falaram ainda o prefeito Sette Câmara e o arcebispo de Brasília, dom José Newton, que benzeu a instituição.

E dando os trâmites por findos, como diria Vinícius de Moraes, o ministro Oliveira Brito encerrou o seu discurso histórico: “declaro, em nome do governo do qual me honra fazer parte, inaugurada a Universidade de Brasília —e agradeço a presença de quantos vieram distinguir-nos comparecendo a esta solenidade”.

Ficou então inaugurada a magnífica Universidade de Brasília.

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