Em 1962, Brasília ainda alimentava pessimismos como capital do Brasil

Nrasília antiga Minhocão UnB Misto Brasil
Instituto Central de Ciências, o Minhocão, na década de 1960/Cedoc/UnB

Jornal da época conta que não havia residências em número suficiente para atender às necessidades da transferência da capital

Por Sérgio Botelho – DF

Em 21 de abril de 1962, segundo aniversário de inauguração de Brasília, a cidade ainda causava apreensões como viável para ser a capital do Brasil. Boa parte do programa de transferência do Rio de Janeiro para o Planalto Central estava emperrada.

“Em alguns períodos, é ela a sede do governo federal; em outros, a cidade vazia que assiste, à distância, a administração do País feita ainda no antigo Distrito Federal”.

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O texto é um recorte de longa matéria publicada pelo jornal Estado de São Paulo, edição do dia 20 de abril de 1962, véspera das comemorações de segundo aniversário da capital brasileira.

O jornal sai relatando as dificuldades: “não há residências em número suficiente para atender às necessidades da transferência, sendo reduzidas as facilidades para obviar (sic) o problema”; o custo de vida na cidade é considerado como o mais elevado do país, “o que torna difícil a fixação definitiva de seus habitantes”; os moradores enfrentam “grandes dificuldades de transporte coletivo (o mais caro do Brasil)”; o abastecimento de energia elétrica é bastante deficiente; um telefone para ser instalado leva três meses de espera pelo aparelho; “cerca de nove mil crianças em idade escolar ficaram, este ano, sem vagas nos estabelecimentos oficiais de nível primário, sendo os dois colégios oficiais do Plano Piloto insuficientes para as necessidades”, sobrecarregando a rede particular de ensino, com “mais alunos matriculados do que permite a sua capacidade”, contava a matéria.

Apenas um hospital, inacabado, pertencente à Fundação Hospitalar do Distrito Federal existe para atender os 200 mil habitantes da cidade, com perspectiva de, quando pronto, servir para o atendimento a apenas 50 mil pessoas.

Naquele ano, o prefeito Sette Câmara, de Brasília, no entanto, em meio à programação festiva de aniversário da cidade, prometia que “1962 será marcado como o ano da consolidação”.

A animar os otimistas, a Universidade de Brasília havia sido inaugurada naquele mesmo mês de aniversário da nova capital, uma instituição que, conforme previa a matéria do Estadão, uma vez “idealizada em bases inteiramente novas e revolucionárias, poderá representar sólido ponto de apoio, como órgão de consulta dos poderes constituídos da Nação”.

E como serviu! O fato é que hoje Brasília é um sonho realmente consolidado e maravilhoso.

(Sérgio Botelho é jornalista)

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(A foto, do Arquivo Cedoc/UnB, é do Instituto Central de Ciências, o Minhocão, na década de 1960)

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