Precisamos falar (e agir) sobre a crise climática

Bombas de gasolina combustível Misto Brasília
A questão dos combustíveis fósseis é um tema central sobre o clima/Arquivo/Agência Brasil

Foi ingenuidade imaginar que os países produtores de petróleo aceitariam reduzir a produção de combustíveis fósseis

Por André César – SP

“Alerta laranja, tempestade”. Cada vez mais, essa mensagem aparece nos celulares de moradores das mais diversas cidades do país – mas não só, o fenômeno é global e ganha escala rapidamente. A crise climática é uma realidade inegável e se apresenta de todas as formas. Chuvas torrenciais, secas alarmantes, queimadas, frio recorde, o medo se faz presente. O fato é que, nesse início de 2024, não se pode mais fugir do debate.

Tomemos como exemplo São Paulo, a maior cidade do Brasil. Dia após dia, o que se vê é uma situação de calamidade. As recorrentes tormentas afetam a todos, a começar da imensa população que vive nas ruas, absolutamente desamparada. Uma autêntica tragédia humanitária, com sérias consequências sobre inocentes que não têm como se defender desse caos. Para essa parcela da sociedade, o terror é cotidiano, que se soma a outras mazelas cotidianas.

Há também a questão econômica. A capital paulista assiste à queda de sua produtividade a cada temporal (monção?), com impacto direto sobre o dia a dia das empresas e dos negócios em geral. Cada árvore que cai sobre uma linha de energia gera um prejuízo incalculável. Multiplique isso e temos um cenário de caos total.

Além disso, as mortes decorrentes desses eventos trazem dor para as famílias. Todo dia vemos na imprensa imagens de sofrimento absurdo daqueles que perderam entes queridos. Não é possível considerar “normal”
esse quadro. É preciso reagir.

Olhando para o planeta como um todo, o cenário é desalentador. Pegue-se o exemplo da COP28, recentemente realizada em Dubai. Foi ingenuidade, ou algo mais, imaginar que os países produtores de petróleo da região que sediou o evento aceitariam reduzir, de maneira singela, a produção de combustíveis fósseis, uma das grandes causas do aquecimento global. O que se viu foi muita conversa (parole, parole) para poucos resultados efetivos. A OPEP, e não só ela, segue falando alto em defesa de seus interesses.

Para além disso, o negacionismo quanto à crise climática corre solto. Na Europa, a ultradireita, que se posicionou contra a vacinação no combate à Covid-19, encontrou novo alvo na questão do clima.

“Negacionismo ambiental” está na ordem do dia, às vésperas das eleições para o Parlamento Europeu, que ocorrerão em junho. Risco real de retrocesso com o possível avanço de forças contrárias ao avanço dos debates em torno do tema.

A realidade está às nossas portas. A chamada “ambiciosa agenda climática” corre risco real. Há muita retórica para pouca ação efetiva. O governo brasileiro aposta suas fichas na COP30, a ser realizada em Belém no próximo ano, mas o presidente Lula da Silva emite sinais de que insistirá na questão dos combustíveis fósseis. Ao contrário, deveria apostar nas energias que ganham espaço, como a eólica e o biodiesel, entre outras. Simples assim, claro que com seus custos.

O mundo queima, literalmente. Vamos passar da retórica para a ação? Passou da hora.

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