São Luís, a cidade antipedestre

São Luís Maranhão bairro Turu Misto Brasil
Avenida que corta o bairro do Turu, em São Luís/Arquivo/Reproduçào

As obras públicas na capital do Maranhão privilegiam apenas os carros. Não há passarelas e nem ciclovias

Por Mayalu Félix – MA

Se você vier a São Luís do Maranhão, onde moro, verá que os prefeitos, sucessivamente, se preocupam com tudo, menos com os pedestres. Eu posso provar.

O maior projeto do atual prefeito (que quer se reeleger), só para dar um bom exemplo, chama-se “Trânsito Livre”. Os políticos de São Luís se preocupam com os que têm carros e nada mais.

Querem mais vias “livres”, inclusive de faixas de pedestres, de lombadas e de sinais de trânsito.

Em outras capitais encontramos muita fiscalização no que diz respeito à faixa de pedestres. Em Brasília, por exemplo, o motorista que ultrapassa a faixa é malvisto até pelos outros motoristas. Em São Luís, nada acontece.

Não há quase nenhuma fiscalização, sobretudo em relação aos motociclistas, não param em nenhuma faixa de pedestres.

Os motociclistas merecem um capítulo à parte: dirigem de sandálias havaianas, não têm carteira de motoristas e andam em motocicletas sem placas e tudo bem. Não há fiscalização.

Mas eu queria mesmo era falar dos pedestres. Em São Luís faz um sol incrível. Ótimo para uma praia, mas a maioria do povo tem mesmo é que trabalhar e de ônibus.

O problema é que os pontos de ônibus, as paradas, são bem ruins. O chamado mobiliário urbano, de modo geral, é ruim. O trânsito é livre, mas o mobiliário urbano deixa a desejar.

O eleitor fica no sol, mesmo, e, quando chove, fica na chuva. E quando o carro passa, no trânsito livre, joga em cima dele a água empoçada da via pública.

Quando o pedestre tem que atravessar a rua, mas principalmente a avenida, com intensa circulação de veículos no trânsito livre, geralmente não sabe o que fazer. Os sinais de trânsito ficam a metros, quilômetros de distância uns dos outros, dificultando a vida do pedestre. O que fazer?

Ora, o que é possível: se arriscar no trânsito livre, pedir pelo amor de Deus para não ser atropelado e contar com a boa vontade do motorista. As passarelas suspensas (ou passagens subterrâneas) que existem em todas as capitais do Brasil simplesmente não existem em São Luís, assim como os carros a gás, o metrô e o BRT, coisas que parecem pertencer a outro planeta, que fazem parte do repertório dos políticos para enganar os bestas que ainda acreditam. Ah, as ciclovias também.

Não podia terminar sem falar das ciclovias, neste trânsito livre. Não há ciclovias nesta capital. Inacreditável, não é? Num curto espaço de tempo, foram dois ciclistas atropelados e mortos nas pistas do trânsito livre de uma capital sem ciclovias.

Quantas e quantas vezes tive que diminuir a velocidade e desviar, com muito medo, de inúmeros ciclistas que deveriam ter pistas exclusivas para circular.

O atual prefeito está alargando avenidas em toda a cidade. Aparentemente, não há sequer um projeto de inclusão de ciclovias nesses alargamentos de vias urbanas, assim como não há previsão de passarelas suspensas para que pedestres atravessem as vias em segurança.

A única preocupação parece ser o “trânsito livre”.

Não estão incluídos, aí, os usuários de transporte coletivo (que segue precário, aliás), porque já faz tempo que as pistas exclusivas de ônibus deixaram de ser exclusivas: a preocupação é mesmo com o motorista de carro particular. Ponto.

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