Uma CPMI perto da conclusão

C`MI 8 de janeiro coronel Fábio Augusto Misto Brasília
Coronel Fábio Augusto antes de depor na CPI de 8 de janeiro/Geraldo Magela/Agência Senado

Sem dúvida, há muitos questionamentos e críticas quanto a condução da comissão de investigação no Congresso

Por André César – SP

Após meses de trabalhos, momentos polêmicos e de tensão, a CPMI do 8 de janeiro aproxima-se do fim. A relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), apresentará logo mais seu parecer, mas haverá vista coletiva e o texto será votado nesta quarta-feira (18).

A parlamentar e seu entorno mantém discrição e sigilo com relação ao conteúdo a ser apresentado. Sabe-se, porém, que dois elementos são cruciais e norteiam boa parte do relatório – o depoimento do hacker Walter Delgatti e a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Sem dúvida, há muitos questionamentos e críticas quanto a condução da CPMI.

De um lado, os governistas, maioria no colegiado, não conseguiram convocar militares suspeitos de envolvimento nos atos de 8 de janeiro em Brasília

De outro, a oposição, que inicialmente bancou a instalação dos trabalhos, tentou tumultuar ao máximo as sessões – em muitos casos com sucesso.

Como pano de fundo, a busca pela construção de narrativas ao gosto do eleitorado – eleitores de Lula (PT) e apoiadores de Bolsonaro, respectivamente. Assim, as redes sociais tornaram-se o principal campo de batalha do colegiado. Um desserviço para o Congresso Nacional e, no limite, para a própria democracia. Perdem todos, independentemente do resultado da votação do relatório final.

Também a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução das atividades evidenciou as limitações da CPMI. Decisões inéditas de ministros da Corte (ligados a Bolsonaro, diga-se) liberando convocados da obrigação de prestar depoimento foram no mínimo vexatórias.

O saldo final é claro. O instituto das comissões parlamentares de inquérito, tão vulgarizado nos últimos tempos, precisa ser revisado com urgência, sob risco de desmoralização total. Nunca a expressão “tudo acabará em pizza” teve tanta atualidade.

Para o Planalto, interessa aprovar o parecer da senadora Eliziane por uma boa margem de votos. Isso poderia indicar que a oposição perde força no Parlamento. Pode até ocorrer, mas terá o gosto amargo de uma vitória de Pirro.

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