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Desempenho da economia no próximo ano poderá ser ainda pior

Apesar disso, os números de equipe do ministro Paulo Guedes estão mais otimistas que o dos analistas

Texto de Vivaldo de Sousa

Cem dias. Esse foi o prazo dado nesta quarta-feira (17) pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, para que os analistas econômicos, em especial aqueles que atuam no mercado financeiro, mudem suas estimativas de crescimento, convergindo com as previsões sempre mais otimista do governo federal. O Ministério da Economia estima agora um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,1% neste ano e de 2,1% em 2022.

Revisadas para baixo, essas estimativas estavam antes em 5,3% e 2,5%, respectivamente. Apesar disso, os números de equipe do ministro Paulo Guedes estão mais otimistas que o dos analistas econômico. Pesquisa divulgada nesta semana pelo Banco Central mostra que o mercado espera um crescimento médio de 4,88% em 2021 e abaixo de 1% no próximo ano. Alguns analistas, mais pessimistas, já falam em queda da economia no próximo ano na comparação com 2021.



Conforme o Boletim MacroFiscal de novembro, divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia, “as projeções de crescimento para 2022 fundamentam-se em dados positivos do mercado de trabalho, que vem se recuperando da queda na pandemia, e no alto volume de investimento contratado para o ano que vem”. O governo conta a retomada mais forte do mercado de trabalho nos próximos 12 meses, com a geração de 5 milhões de vagas, 3,4 milhões) no mercado informal.

Por dever de ofício, o governo precisa ser mais otimista nas suas previsões para a economia. Mas há uma conjunto de indicadores que apontam para um cenários mais negativo na economia, além dos embates no campo político entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (ainda sem partido), e os demais poderes. Atrás na corrida política para tentar a reeleição, Bolsonaro dá sinais de que poderá atropelar novamente a equipe econômica em busca de mais popularidade.



A medida mais recente é o anuncio de que pretende dar um reajuste para os servidores públicos federais, antes mesmo de saber como pagará os R$ 400,00 prometidos para o Auxílio Brasil _substituto do testado e aprovado Bolsa Família. Um dos principais indicadores negativos é a inflação, que vai fechar o governo Bolsonaro em alta pelo terceiro ano consecutivo. E agora oficialmente acima de 10% na estimativa do próprio governo para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para 2021.

Indicador que mede a inflação para as famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, o INPC deve fechar este ano em 10,04%. A previsão anterior, feita em setembro, era de 8,40%. Já o indicador oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve acumular alta de 9,70%, segundo o Ministério da Economia. A previsão anterior era de 7,90%. O IPCA mede a inflação para famílias com renda até 40 salários mínimos. Em janeiro, antes do prazo de cem dias dados por Saschsida, saberemos se a inflação oficial ficará mesmo abaixo de 10% neste ano.