Sérgio Moro e Jair Bolsonaro Misto Brasília

Sérgio Moro no jogo: e agora?

Para parcela não desprezível do eleitorado, seu nome é diretamente ligado ao combate à corrupção

Texto de André César

A filiação de Sérgio Moro ao Podemos, ocorrida na quarta-feira, 10 de novembro, coloca em cena um novo e, por ora, relevante ator no processo sucessório. É cedo para se afirmar que o ex-ministro será um candidato competitivo, mas é inegável que seu nome terá impacto sobre a chamada terceira via, ao menos a curto prazo.

São muitas as dúvidas quanto ao potencial eleitoral de Moro. Em sua biografia, ele carrega ativos políticos de peso, mas também problemas que têm potencial para minar o projeto presidencial. A disputa pelo Planalto é bruta, não existindo espaço para amadores, e o agora pré-candidato do Podemos será desafiado dia após dia.



Primeiro, os pontos favoráveis de Moro. Para parcela não desprezível do eleitorado, seu nome é diretamente ligado ao combate à corrupção. Esse eleitor, antipetista por natureza, ficou ao lado do ex-ministro quando este deixou o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Esse é um ativo a ser explorado. O Super-Homem das manifestações dá o ar de sua graça.

O potencial de votos do pré-candidato representa outro ponto a seu favor. A mais recente pesquisa Genial/Quaest, realizada entre 3 e 9 de novembro, coloca-o em terceiro lugar na disputa, com 8% das citações. Seu desempenho supera o do neopedetista Ciro Gomes, que pela primeira vez fica abaixo dos dois dígitos, e de João Dória (PSDB), que, mesmo com a ampla exposição decorrente da vacinação contra a Covid, não passa dos 2%.

Agora, os pontos negativos. Primeiramente, Sérgio Moro terá muita dificuldade para negociar com outras legendas. Sua atuação à frente da Lava Jato gerou indisposição com políticos de partidos da esquerda à direita, que hoje consideram-no praticamente um pária. Não convide o ex-ministro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o ex-presidente Lula da Silva (PT) para a mesma mesa.




Os métodos da Lava Jato, por sinal, mancharam a imagem de Moro, conforme mostrou a Vaza Jato. Para muitos brasileiros, ele foi dissimulado ao longo da operação, com objetivos claramente político-eleitorais.

Também a falta de experiência e posições dúbias quanto a temas importantes pesam contra o ex-ministro. Esses pontos serão cobrados ao longo de uma eventual campanha. O que ele efetivamente pensa sobre economia, política externa, questões sociais?

Por fim, o pré-candidato tende a se tornar o alvo preferencial de bolsonaristas e petistas, que avaliam que a sucessão será decidida entre o atual presidente e o ex. Moro, nesse sentido, seria útil para as pretensões dos dois líderes nas pesquisas.

Em tese, as fragilidades de Sérgio Moro são maiores que seus ativos político-eleitorais. Não causará surpresa, portanto, se ele desistir do Planalto e tentar uma vaga ao Senado Federal. Afinal, seu perfil vai bem ao gosto do eleitor do Sul do país (falamos aqui do Paraná), mais conservador. O ex-ministro sabe o caminho que deverá trilhar.