Mark Zuckerberg Facebook Instagram

Fora da tomada

Por algumas horas, as pessoas tiveram que buscar atividades hoje pouco exploradas

Texto de André César

O 4 de outubro de 2021 será lembrado pela história como o dia em que o mundo foi desligado da tomada. A pane global envolvendo Facebook, Instagram e WhatsApp afetou a todos. O império de Zuckerberg teve suas fragilidades expostas. Mas também nossa dependência no uso de aplicativos se mostrou de maneira crua.

Sentiu a economia, que deixou de girar bilhões ao redor do globo. Sentiram as comunicações, que ficaram limitadas durante horas. Sentiram os estudantes, que já enfrentam restrições em tempos de pandemia. Sentiram as pessoas comuns, cada vez mais conectadas e emocionalmente vinculadas ao mundo virtual.



Quem se lembra de uma prosaica ligação telefônica? Esse humilde escriba tentou falar desse modo com outra pessoa, sem sucesso. Conclusão: sem redes sociais, sem comunicação, sem conversa. Simples assim.

O apagão digital teve seu aspecto positivo, porém. Por algumas horas, as pessoas tiveram a oportunidade de deixar de lado a ansiedade, tão comum na era virtual, e buscar atividades hoje pouco exploradas. No meu caso, uma tarde mergulhado em contos de humor russos – Tolstoi, Dostoiévski e Tchekhov no lugar da trupe de Zuckerberg. Infinitamente melhor.



Algumas questões se colocam agora. Em primeiro lugar, é preciso saber o que gerou o caos nas redes. Hackers, pane no sistema ou qualquer outra razão, é fundamental esse conhecimento para evitar a repetição do fato. Além disso, governos, empresas e demais instituições precisam estabelecer planos de emergência para enfrentar situações similares. O mundo não pode simplesmente ficar à deriva como ontem.

Enfim, ficou o alerta. A dependência global ao “universo Zuckerberg” mostrou seus limites. Aprendemos a lição? Nada será como antes?