Rodoviária DF deficiente visual

Queda da economia no segundo trimestre indica um “pibinho” em 2022 

A equipe do Ministério da Economia deve revisar nos próximos dias a sua estimativa para a economia

Texto de Vivaldo de Sousa 

Os dados do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2021, com uma queda de 0,1% em relação aos três primeiros meses do ano, é mais um complicador nos planos de Jair Bolsonaro para tentar permanecer no cargo legalmente por mais quatro anos. Embora ainda faltem 13 meses para as eleições de 2022, o desempenho da economia pode ser a pá de cal nos sonhos da reeleição.

Com desemprego elevado, de 14,4 milhões de pessoas desocupadas no segundo trimestre, segundo dados do IBGE,  inflação em alta e racionamento de energia no horizonte dos próximos meses, a recuperação pós-pandemia em V dificilmente vai acontecer, como previsto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.  A expectativa é de alta no terceiro trimestre e queda no quarto, sempre em relação ao trimestre anterior.



Contribuem para a expectativa de um desempenho negativo no quarto trimestre a tensão na área política, com Bolsonaro mantendo e estimulando o “confronto” com o Judiciário; pressões para aumento de despesas, vindas principalmente dos partidos do Centrão, que podem ser vistas como abandono do teto de gastos; impacto da seca mais prolongada do que o previsto e as medidas de contenção do consumo de energia.

Esse cenário negativo deve se refletir nas próximas pesquisas do Banco Central com o mercado financeiro, divulgadas semanalmente na segunda-feira por meio do boletim Focus. Na última pesquisa divulgada em agosto, no dia 30, o mercado manteve a taxa básica de juros (Selic) em 7% ao ano _hoje está em 5,25%, mas estimativa de inflação medida pelo IPCA subiu de 7,11% para 7,27% em 2021 e o crescimento do PIB caiu de 5,27% para 5,22% no mesmo período.



Internamente, a equipe do Ministério da Economia deve revisar nos próximos dias sua estimativa para o desempenho do PIB neste ano, atualmente em 5,3%. Deve ficar próximo de 5%, um pouco abaixo ou um pouco acima. Antes da divulgação do resultado do PIB no segundo trimestre, a expectativa de Guedes era um aumento de 0,25% no período de abril a julho em relação a janeiro-março. As previsões para o desempenho da economia em 2022 também devem ser revistas.

Enquanto o governo, otimista como de costume, espera alta de 2,51% do PIB em 2002, conforme informado na proposta orçamentária enviada em 31 de agosto ao Congresso Nacional, o mercado já trabalha com um crescimento abaixo de 2% no próximo ano, quando acontecem as eleições para a presidência da República, governos estaduais, Senado e legislativos federal e estadual.

Num cenário com aumento de preços, queda no poder de compra das famílias e desemprego elevado, a tendência é de um “pibinho” em 2022. Embora menos de 30% dos brasileiros tenham tomado a segunda dose da vacina contra a Covid-19 até ontem, 31 de agosto, o avanço da vacinação é um fator positivo, que ajudou a manter o crescimento do setor de serviços, mas insuficiente para a recuperação econômica.