Um olhar sobre o segundo semestre

Um olhar sobre o segundo semestre

Pelo menos sete temas devem movimentar a política em Brasília, como o impeachment de Bolsonaro

Texto de André César

A segunda metade de 2021 será de intensa movimentação política. Alguns temas que podem impactar o processo sucessório merecem atenção especial.

Pandemia e vacinação – a pandemia lentamente perde força e o segundo semestre tende a registrar número menor de casos de Covid-19 no Brasil. O avanço da vacinação reforça essa percepção. Há um risco, porém, com o eventual surgimento de novas variantes.

CPI da Covid – a prorrogação dos trabalhos da CPI da Covid no Senado Federal é praticamente inevitável e a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seguirá intensa. O novo foco de investigações, a suposta corrupção no ministério da Saúde, gerará mais desgaste para o Planalto e o possível surgimento de fatos novos será uma sombra permanente sobre o governo.

Trocas partidárias – atores políticos relevantes movimentarão os partidos ao longo dos próximos meses. Deputados da chamada “ala jovem”, como Tábata Amaral e Kim Kataguiri, buscam novas agremiações. Também o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, hoje no DEM, pode se filiar ao PSD – que também negocia com o ex-governador tucano Geraldo Alckmin.



Reformas – são remotas as possibilidades das propostas de reformas em discussão o Congresso Nacional, em especial a tributária e a administrativa, avançarem nos próximos meses. Além da ausência de um consenso mínimo em torno do mérito, a proximidade das eleições praticamente inviabiliza uma discussão mais aprofundada a curto e médio prazos.

Vaga no STF – no Senado, será grande a pressão sobre o nome indicado pelo presidente Bolsonaro para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. Ex-ministro da Justiça, André Mendonça está longe de ser uma unanimidade entre os senadores, e muitos deles já se manifestaram contrariamente ao escolhido. Ao Planalto será necessário negociar muito bem para que Mendonça seja aprovado.

Popularidade e impeachment – em queda, a avaliação popular de Bolsonaro tende a se manter em patamares baixos no segundo semestre. Mesmo assim, e apesar do avanço das investigações da CPI da Covid, o impeachment segue com poucas chances de ocorrer. O afastamento do presidente não é do interesse do establishment político.

Economia – o controle da pandemia leva à retomada das atividades e, consequentemente, a um melhor ambiente na economia. Os números já mostram isso, com o PIB gradualmente se recuperando. O grande desafio será levar essa recuperação para a população em geral, pois o desemprego, o subemprego e o desalento seguem em níveis catastróficos.