Governo brasileiro se aproxima do novo primeiro-ministro de Israel

Governo brasileiro se aproxima do novo primeiro-ministro de Israel

Após um dia histórico para Tel Aviv como o de ontem (13), no qual Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel por 12 anos foi derrotado e substituído por Naftali Bennett, as repercussões internacionais da nova gestão começaram a apontar tendências.

Em relação ao Brasil, os desdobramentos dessa nova eleição já estão sob estratégia do governo federal, com diplomatas do Itamaraty declarando que o presidente Jair Bolsonaro pretende entrar em contato nos próximos dias com Bennett, na tentativa de manter a aliança estratégica entre Brasil-Israel, de acordo com a CNN.

A mídia relata que antes mesmo da posse do novo primeiro-ministro, assessores do presidente brasileiro já mantinham contato com integrantes da equipe de campanha de Bennett, e que há uma aposta em George Birnbaum, consultor político norte-americano, para ajudar nessa ponte entre os países.

Birnbaum é conselheiro político de Bennett e também foi de Netanyahu quando o ajudou a se eleger pela primeira vez há 25 anos atrás, segundo o The Jerusalem Post. De acordo com a mídia, o conselheiro influenciou o novo primeiro-ministro a se posicionar de forma neutra e independente, o que ajudou na vitória de Bennett.

Quem é Naftali Bennett

Como acontece com muitos políticos israelenses, o caminho do novo primeiro-ministro do país, Naftali Bennett, até a política passou pelas Forças Armadas. Durante seis anos, Bennett, cuja família emigrou dos Estados Unidos para Israel, atuou em unidades especiais do Exército israelense. Isso provavelmente teve papel importante quando, em 2006, o então político de oposição Benjamin Netanyahu fez do ex-soldado de elite seu chefe de gabinete. Como Bennett, seu antecessor Netanyahu também havia servido na força antiterrorista Sayeret Matkal.

O passado militar de Bennett continuou a ser tema mesmo anos depois de ele se desligar da força. Como oficial da tropa especial, ele esteve envolvido em um bombardeio israelense à aldeia libanesa de Qana, em abril de 1996. A ação destruiu a sede das forças da ONU e matou mais de cem civis, segundo a agência DW.

Depois de deixar o Exército, em 1996, Bennett estudou Direito em Nova York e fundou uma empresa de software que rapidamente deu lucro, tendo sido avaliada em US$ 145 milhões (cerca de 725 milhões) quando foi vendida alguns anos depois. Aos 33 anos, Bennett ficou rico: “Eu poderia passar o resto da minha vida bebendo drinques no Caribe”, disse certa vez.

A mudança de carreira começou após a Guerra do Líbano de 2006, na qual Bennett perdeu seu melhor amigo. Naquele ano, ele virou chefe do gabinete do líder da oposição Benjamin Netanyahu. Durante dois anos ele fez parte do círculo mais próximo do político do Likud. Mas pouco antes de Netanyahu ser reeleito premiê, em 2009, Bennett terminou sua cooperação com ele e se distanciou de seu antes mentor.

Bennett criticou duramente o primeiro-ministro conservador por ter se pronunciado a favor de um congelamento temporário dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, sob pressão dos Estados Unidos. Como presidente das organizações conjuntas de colonos judeus, ele organizou um protesto contra esses planos e aumentou a pressão sobre Netanyahu.