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O mundo à espera dos EUA

Estados Unidos, atualmente, atuam de forma ambígua na luta contra o terrorismo, ignorando inclusive os interesses maiores de seus aliados
Democrata Joe Biden
É o primeiro grande projeto de Biden aprovado após a sua recente posse/Arquivo/Sapo

Texto de Marcelo Rech

Em 15 dezembro, o Colégio Eleitoral integrado por republicanos e democratas finalmente concluiu o processo eleitoral nos Estados Unidos, reconhecendo a eleição de Joseph Biden. Foi um processo longo, cansativo e marcado por problemas. Embora Donald Trump ainda resista em reconhecer o óbvio, é quase certo que estas eleições deixarão marcas profundas na sociedade norte-americana.

Os acontecimentos recentes sugerem uma democracia questionável para o país que pretende ser o farol da humanidade neste quesito. As eleições foram marcadas por uma forte polarização, a militância dos meios de comunicação, agitação racial, esmagamento armado de protestos, arbitrariedade policial, inúmeros casos de violação das liberdades civis, corrupção, e até mesmo, irresponsabilidade por parte das autoridades.

Ao mundo, interessa saber que rumo dará Joe Biden à Política Externa dos Estados Unidos. Os últimos anos foram marcados por grandes enfrentamentos entre Washington e a Europa e a América Latina. Biden terá pela frente, muitos desafios. Um deles, será impedir o agravamento da situação política interna norte-americana, elemento que pode representar uma ameaça direta à segurança internacional, principalmente se considerarmos o potencial nuclear norte-americano.

Além disso, os Estados Unidos, atualmente, atuam de forma ambígua na luta contra o terrorismo, ignorando inclusive os interesses maiores de seus aliados. Trump trouxe muito ruído e imprevisibilidade a um ambiente que cobra diálogo, negociação, cooperação e respeito. Em sua gestão, Trump revelou a face mais egoísta dos Estados Unidos e isso cobrará um preço que Biden terá de pagar para recompor as alianças hoje fraturadas.

Os Estados Unidos também precisam compreender que a era das intervenções militares, golpes, derrubadas de governos e patrocínio de títeres, está completamente ultrapassada. É preciso frear as influências negativas que afetam a estabilidade internacional e regional, e iniciar um processo de reconstrução da confiança.

No seu entorno geográfico, os Estados Unidos terão de rever as políticas adotadas em relação ao México que Trump acreditava resolver com a construção de um muro. E não é apenas o narcotráfico que cobra ações urgentes, o comércio também exige a adoção de medidas que tornem o livre comércio na América do Norte, mais equilibrado, principalmente para os mexicanos.

Vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden terá de lidar, ainda, com a pobreza, a miséria e a criminalidade que sangram a América Central, especialmente o chamado Triângulo Norte confirmado por Guatemala, Honduras e El Salvador. Os imigrantes desses países nos Estados Unidos, são responsáveis por remessas de dinheiro que fazem toda a diferença nas respectivas economias. Trump criou muitas dificuldades para essas pessoas.

Cuba é outro importante desafio para a Casa Branca. Foi na administração democrata da qual Biden fez parte, que Washington e Havana retomaram as relações diplomáticas, em 2015. Cuba continua sob ditadura e de lá para cá, poucos avanços foram observados. Seria importante se Biden cumprisse as promessas abandonadas por Obama de fechar a prisão de Guantánamo, além de pôr fim ao bloqueio econômico em vigor desde 1962, incapaz de produzir mudanças na ilha. O bloqueio só tem servido, na verdade, para mascarar a incompetência e a corrupção de um regime estacionado no passado.

Na América do Sul, Bolívia, Colômbia e Peru, três dos maiores produtores de drogas do planeta, continuarão merecendo a atenção dos Estados Unidos. Mais uma vez, a forma terá de ser revista. Há uma linha tênue entre a cooperação necessária e a ingerência indevida. A Venezuela continuará no radar, mas sem a sombra de uma intervenção militar. Chance zero. A pressão terá de aumentar nos campos político, econômico e diplomático.

Mais ao sul, o Paraguai e sua Tríplice Fronteira, se manterá no radar dos Estados Unidos, especialmente com uma eleição se aproximando e a penetração, cada vez maior, do crime organizado associado a guerrilhas de esquerda no país. A Argentina acaba sendo uma incógnita. Difícil apontar como serão as relações de Alberto Fernández, patrocinador do Grupo de Puebla, e Joe Biden.

Quanto ao Brasil, a parceria iniciada em 2019 terá continuidade. Apesar da demora do presidente Jair Bolsonaro em reconhecer a vitória de Biden, o Brasil é grande e importante demais para ser isolado ou ignorado por Washington. Além disso, Joe Biden é inteligente o suficiente para colocar os interesses norte-americanos acima de simpatias pessoais.

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