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Depois do primeiro turno

Os candidatos apoiados pelo Planalto nas principais cidades tiveram desempenho pífio - por exemplo, Belo Horizonte e Recife, além de São Paulo
Jair Bolsonaro
Bolsonaro fez um apelo à população para economizar energia elétrica/Arquivo

Texto de André César

Passado o primeiro turno das eleições municipais, os olhos se voltam de imediato para as alianças e composições visando a segunda rodada, que ocorrerá dia 29 próximo – e para depois, já que o calendário político é extenso e complexo.

Podemos fazer três cortes básicos sobre os resultados de domingo último. O primeiro com foco no presidente Jair Bolsonaro e no bolsonarismo; o segundo, abordando a esquerda; por fim, o último com olhar sobre o centro e a centro-direita.

Ao se olhar o presidente da República e seu grupo, o saldo final é negativo. Os candidatos apoiados pelo Planalto nas principais cidades tiveram desempenho pífio – por exemplo, Belo Horizonte e Recife, além de São Paulo com o eterno “coelho” Celso Russomanno (Republicanos). Mesmo no Rio de Janeiro, a candidatura de Marcelo Crivella (Republicanos) tem poucas chances no segundo turno, frente ao favoritismo de Eduardo Paes (DEM). Chega-se à conclusão que Bolsonaro se precipitou ao anunciar seu apoio muito cedo. Gol contra.

Quando se fala da esquerda, é necessária a divisão em dois grupos. De um lado está o PT, que claramente perdeu espaço nos grandes centros – até o momento, não elegeu prefeito algum entre as 100 maiores cidades do país – e vê questionada a capacidade de sua principal liderança, o ex-presidente Lula, em carrear votos para os candidatos do partido. De outro, as demais legendas (PSOL, PCdoB, PDT e PSB), que buscam crescer junto ao eleitor médio. Destaque especial para o PSOL, que tem em Guilherme Boulos uma nova liderança nacional.

Já o centro/centro-direita obteve ganhos importantes no pleito. O antigo “trio de ferro” que sustentava o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – MDB, DEM e PSDB – saiu fortalecido das urnas, conquistando importantes cidades e com chances de ainda ampliar esse quadro. Há ainda o Centrão, que saiu vencedor com o PSD e o PP. O bloco certamente será estimulado a elevar (legitimamente, diga-se) o preço de seu apoio ao presidente Bolsonaro. A conferir.

Enfim, o segundo turno apenas consolidará um quadro já mais que esboçado. O mundo da política seguirá fervilhando – discussão sobre o orçamento de 2021, a prorrogação ou não do auxílio emergencial, as reformas e a sucessão das Mesas do Congresso Nacional. Tudo em meio à provável segunda onda da pandemia e um governo à deriva.

Resumo da ópera: a sucessão presidencial está logo ali, na esquina.

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