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Pobre Santa e bela Catarina

Denúncias de malversação do dinheiro público na pandemia atingem os comandos do Executivo e do Legislativo
Assembleia Legislativa SC
Sede da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina/Arquivo/Agência Alesc

Texto de Gilmar Corrêa

Algo de muito podre deve estar ocorrendo em Santa Catarina. O estado passou a figurar não nas páginas reservadas à economia ou às articulações políticas, mas nos destaques policiais.

A lama é tanta que se muita gente tiver a coragem necessária, tira de uma só tacada, o governador, a vice-governadora, e o presidente da Assembleia Legislativa. Quem sabe, talvez nesse remelexo não vem mais alguns pendurados feito cambada de siri.

Os escândalos não são, certamente, fruto de um laranjal novo. É algo que vem sendo cultivado há algum tempo.

Santa Catarina é um estado que orgulha o Brasil. Sua economia é pujante e a mistura étnica de seu povo é cantado em verso e prosa. Mas, me parece, que até isso vem sendo levado pela cachoeira da inépcia do próprio povo catarinense.

Nasci naquele estado e fico triste em ver tanta falta de respeito com o dinheiro público. Seria dever do gestor catarinense dar e mostrar exemplos. Não está acontecendo.

É estranho, por exemplo, que um conselheiro do tribunal de contas, deixe o cargo para concorrer a deputado estadual. Todos sabem – até o cachorro Caramelo – que ser conselheiro é o emprego dos sonhos. Uma senadora do Mato Grosso do Sul deixou o mandato no meio da legislatura para ser conselheira do tribunal de contas estadual. Foi Marisa Serrano, então no PSDB, em 2011.

Não foi o caso do deputado Júlio Garcia, que fez o caminho inverso. Depois de ser deputado estadual, conseguiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, e depois é eleito para comandar o Poder Legislativo. Nesta semana, foi denunciado na Operação Alcatraz.

Partiriam do deputado – pelo que se comenta nos corredores da Assembleia Legislativa – as articulações para aprovar o impeachment do governador Carlos Moisés. Esse senhor foi eleito na onda bolsonarista. Não tinha prática administrativa e agora é acusado, com outras pessoas, de desvios de dinheiro público destinado ao combate da pandemia, algo em torno de R$ 33 milhões. Nesta terça-feira (15), o relatório foi lido no plenário da Alesc e pede a cassação do mandato do governador.

Quase todos esses processos correm em segredo de justiça, como convém ao crime do colarinho branco. O Judiciário, diga-se, não é flor que se cheire. Sim, claro, sempre tem a ovelha negra no meio do rebanho.

A situação de Santa Catarina é tão, mas tão problemática, que no meio policial já se fala que o crime organizado, aquele que manipula milhões de reais e dólares por crimes como o tráfico de drogas, já está estabelecido no território barriga verde.

As organizações criminosas, como o PCC, estão lá. Como exemplo, no final da semana passada foi apreendida uma Lamborghini Gallardo. Pouca gente no mundo tem um carrão da marca italiana, mas estava numa quebrada em Florianópolis. Coisa do tráfico.

Pobre Santa Catarina.

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