Manifestação 300 de Brasília

Diferenças

2018: o acampamento pró Lula, em Curitiba, próximo ao prédio da Polícia Federal, encravado em um bairro residencial, foi instalado em 6 de abril de 2018 e só saiu de lá dia 9 de novembro do mesmo ano. Foram sete meses e três dias sem nenhum incômodo, nenhuma manifestação do STF, nenhum pronunciamento de ministros, deputados, senadores. Ao longo dos primeiros 30 dias, os apoiadores do criminoso Lula, condenado em três instâncias, receberam 25 toneladas de alimentos.

2020: Sara Winter, ativista de direita, decide criar um grupo de apoio do presidente da República, nunca condenado. Chama o grupo de “300 do Brasil” e monta acampamento na Esplanada dos Ministérios. É atacada pela mídia de todas as formas: do grupo, diz-se miliciano, nazista, fascista, inspirado na Klu Klux Klan norte-americana, portador de armas de fogo, de armas brancas e todo tipo de absurdo sem comprovação que poderia, no entanto, ter sido dito do grupo de 2018, de apoio ao criminoso condenado em três instâncias, sobre o qual a imprensa vendida e alimentada pelo dinheiro que fluiu e fluía do governo jamais disse nada.

2018: após o primeiro dia, mais de 500 ônibus de todo o Brasil já haviam visitado a Praça Olga Benário, como os militantes apoiadores do condenado preso nomearam o espaço ocupado à força. Moradores do bairro, penalizados por furtos, barulho intermitente, fezes e urina na porta de suas casas e outras agressões, foram tratados com indiferença pela Justiça. No dia 1º de maio de 2018, estiveram no acampamento ilegal milhares de pessoas dando o “Bom dia, Lula”, que ocorria todos os dias, muito cedo. Só naquele dia, chegaram ali mais de 250 ônibus.

2020: o Acampamento dos 300, em Brasília, de apoio ao presidente da República, com cerca de 100 pessoas, foi totalmente desmontado no dia 13 de junho. Acampados desde o início de maio, eles estavam muito longe de alcançar os petistas nos seus sete meses de acampamento ilegal. A “desmobilização” dos 300 do Brasil e sua retirada da Esplanada dos Ministérios foi fruto de uma ação da Justiça Militar do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Como se vê, em geral o MP está pronto a se mobilizar em prol da esquerda, muito longe de agir com a isenção ideológica que se espera de uma instituição sustentada com o dinheiro do pagador de impostos. Em caráter de urgência, o órgão pediu à Justiça a desmobilização do grupo intitulado Os 300 do Brasil e a proibição da retomada do movimento.

2018: Nas duas primeiras semanas, foi feito o registro de mais de três mil pessoas visitando o acampamento, incluindo estrangeiros de diferentes nacionalidades: argentinos, mexicanos, equatorianos, colombianos, italianos, franceses, ingleses, americanos, noruegueses, guatemaltecos etc. Sem falar nos políticos e artistas, nas figurinhas conhecidas da mídia, como Bela Gil, no grupo paramilitar armado MST, também acampado, no teólogo Leonardo Boff e no Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel. Ninguém levou spray de pimenta na cara. Todos foram exaustivamente filmados pela TV Globo e a mídia fez uma cobertura simpática da aglomeração. A Polícia Federal não os incomodou. A Polícia Civil não abriu nenhum inquérito. A Polícia Militar não fez absolutamente nada. Defecavam na rua, no bairro, próximo às casas, mas ninguém se preocupou com regras sanitárias.

2020: a Secretaria de Segurança Pública disse que não só é proibido ocupar área pública, como também há um decreto, o 40.509/2020, que impede aglomerações com mais de 100 pessoas em eventos nos quais a autorização prévia do GDF é necessária. A pasta também garantiu que houve tentativa de negociação para a desocupação, mas não houve acordo, e que o desmonte se deu “sem confronto”. Mas, o que fazem os “300” que já não fez o MST? Por que o MPDFT nunca pediu, “em caráter de urgência”, “a desmobilização do grupo paramilitar de esquerda MST”? Por que o Movimento dos Trabalhadores sem Teto, MTST, do qual já se viu invasão, agressão, incêndio, assassinato e outros crimes, nunca foi “desmobilizado” pelo MPDFT? Para onde aponta a bússola ideológica do MPDFT? Stálin ou Trótski?

2018: Os organizadores do nomeado “Acampamento Marisa Letícia” precisaram comprar comida “apenas no primeiro dia”. Depois, com as doações, em especial do “povo curitibano” e das caravanas que chegaram, todos puderam se manter com o dinheiro alheio. Chegaram a servir de 1.200 a 1.400 refeições diárias. Essa é a prova mais concreta de que quando é para defender bandido, corrupto e mentiroso quase sempre o MPDFT nada faz. A polícia tampouco. Os cidadãos até reclamam, mas não são ouvidos.

2020: Cidadãos pacíficos decidem acampar em apoio ao presidente da República. Diante do caos institucional verificado no STF, no TSE, no Congresso Nacional e em alguns governos estaduais, pela atuação de um presidente honesto, todo o aparato policial e governamental, além do MPDFT, é colocado em funcionamento a fim de intimidar cidadãos em uso do seu direito de reunião, de ir e vir, de expressão política e de manifestação. Rasga-se a Constituição, mais uma vez. Ela de nada serve, quando interesses nada republicanos, de corruptos e poderosos, estão em jogo.

O “crime” do grupo liderado por Sara Winter foi ter se reunido em Brasília desde o fim de abril deste ano com o intuito de treinar apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em táticas de resistência não violentas, como se viu no desmonte do acampamento: pessoas ajoelhadas e orando recebiam spray de pimenta no rosto. Será que assim está bom, para o MPDFT? Será que assim os egrégios ministros do STF dormem tranquilos, envoltos em seus lençóis de seda? Como ainda existem juízes em Berlim, a Justiça negou o pedido injusto do MPDFT.