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Maia, os radicais e os aproveitadores oportunistas

O jogo político nem sempre é claro, mas muita gente aposta que vai ter vantagem nessa confusão toda
Bolsonaro. Maia e Alcolumbre
Bolsonaro, Maia e Alcolumbre, o jogo que inverte rainha, rei e bispo/Arquivo/Divulgação

De que lado o Democratas, o partido do presidente da Câmara dos Deputados, está? Rodrigo Maia disse esta tarde que falar em impeachment de Jair Bolsonaro é botar gasolina na fogueira. O presidente da República faz pouco caso do sistema democrático, mas o partido de Rodrigo Maia garante dois importantes personagens no ministério.

Estão lá o deputado licenciado Onix Lorenzoni (Cidadania) e a também deputada licenciada Teresa Cristina (Agricultura). Esta última talvez uma ministra central nesse jogo político e econômico. Ela chegou no cargo graças a um apoio dos ruralistas. O deputado Luiz Mandetta (ex-Saúde) só foi defenestrado por uma droga, a tal da cloroquina. Na opinião de Bolsonaro é a solução para o tratamento do Covid-19.

O Democratas se equilibra num puxa-encolhe com Jair Bolsonaro há muito tempo. Desde o início dessa administração, esteve bem representado no governo. Bate e assopra, mais assopra do que bate. Agora, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), aparece como bombeiro da crise. Ele também tem seus indicados na administração federal.

Além disso, a “prudência” de Maia tem também outra explicação. Não quer mexer em Lorenzoni e Teresa Cristina ou expulsá-los do partido por uma questão matemática.

É que o Democratas não quer perder espaço na Esplanada dos Ministérios com a aproximação do Centrão, um aglomerado de siglas que o próprio Democratas representa. E engatilha um terceiro personagem, o ex-deputado Alberto Fraga (DF), candidato ao Ministério da Segurança Pública.

Maia – suspeita-se – seja um dos cabeças desse grupo que se aproxima de Bolsonaro para dar ao presidente uma base política satisfatória na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Nessa salada de partidos que – até pouco tempo era a “velha política”-, estão personagens carimbadas pelo simbolismo da corrupção: o senador Ciro Nogueira (PP) e os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB) e Valdemar Costa Neto (PL), para citar alguns expoentes.

Maia conversa com a esquerda, anima o centro e passa na mão nos extremistas. Um jogo de faz-de-conta num momento importante da política nacional, onde o fascismo mostra os dentes. Esse animal que marcou capítulos tristes e trágicos da História da Humanidade, não chegou às ruas do Brasil no século 21 por obra do acaso.

Para não ir longe na memória, em 2018, o petista Lula da Silva alimentou o antagonismo. Ou ele ou nós. A sua principal liderança – condenada em dois processos por corrupção -, se negou a negociar com o centro-esquerda, com os moderados e muito menos com os companheiros da esquerda, como o PDT. E forçou o PCdoB a abandonar uma candidatura própria.

Na equação política, ajudou a alimentar o cão fascista muito antes das eleições presidenciais. Ajudou com seus erros, tropeços e sua arrogância.

Hoje, estimula uma frente parcial contra o bolsonarismo. Parcial, porque mais uma vez, se mantém numa situação ambígua. Para atacar o ex-ministro Sérgio Moro, estimula outra vez os extremistas de direita. Não é novidade que o bolsonarismo e o petismo se alimentam da mesma ração. Um não pode existir sem o outro.

Resumindo: muita gente ficou em cima do muro nos momentos mais importantes.  Assim como faz nesta hora Rodrigo Maia e o grupo da salada de partidos. Este mesmo grupo que negocia, neste momento emblemático, cargos e vantagens no governo.

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