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O avanço do Centrão

Indicações são esperadas para breve no governo Bolsonaro, e aqui começam alguns problemas
Congresso Nacional
O Centrão volta a ter protagonismo e num governo que disse que não queria a velha política/Arquivo

É do conhecimento geral que as negociações entre o presidente Jair Bolsonaro e o Centrão avançam rapidamente. Prova disso é o fato de que, nos últimos dias, foram confirmadas nomeações para importantes cargos do governo, todas envolvendo representantes do bloco suprapartidário.

Duas nomeações chamam a atenção, em especial – o Banco do Nordeste e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação ficarão com partidos do bloco. Outras indicações são esperadas para breve, e aqui começam alguns problemas.

No ministério da Educação, por exemplo, já há pressão para que o presidente exonere o atual titular, Abraham Weintraub, e coloque alguém alinhado ao grupo. O péssimo desempenho do atual ministro contribui para sua fritura e pode selar seu destino a curto prazo. Outros ministros também podem entrar na alça de mira.

Um segundo ponto delicado diz respeito ao suposto “namoro” entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar e seu partido negam integrar o Centrão e as negociações ora em curso com o bloco podem colocar um freio nas conversas recentemente retomadas entre Maia e o titular do Planalto – isso apesar do deputado precisar do apoio do grupo para a sucessão na Casa, no início de 2021. Na verdade, a tendência é de que o comando do Congresso Nacional mantenha uma relação meramente institucional com o Planalto.

Por fim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vê nessa aproximação uma ameaça à sua agenda liberal. Esse é o grande temor do mercado, que ainda considera o “Posto Ipiranga” o ponto forte do governo.

Enfim, o erro básico de Bolsonaro, cometido antes mesmo de sua posse, foi evitar buscar as bancadas partidárias para conversas abertas, preferindo negociar diretamente com alguns parlamentares. Agora, no auge da crise, fez-se necessário retomar o “toma lá-dá cá”, tão criticado pelo então candidato. Melhor para o Centrão.

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