A “mulher mais rica da África”, o PT e a Odebrecht

Isabel dos Santos e o marido Angola
Isabel dos Santos com o seu marido, Sindika Dokolo/Arquivo/Reprodução

As investigações sobre a fortuna acumulada por Isabel dos Santos, “a mulher mais rica da África”, tem conexões com o Brasil. De acordo com a Agência Pública, o dinheiro de Angola foi desviado para empreendimentos imobiliários na costa da Paraíba, como a construção de um condomínio de alto luxo em João Pessoa e de um dos mais luxuosos resorts do litoral paraibano, com mais de cem bangalôs.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, “o artigo publicado pela Agência Pública sobre as atividades dos sócios de Isabel dos Santos na Paraíba joga luz numa nova dimensão das relações entre Brasil e Angola, quase sempre monopolizada pela ligação entre o PT e a Odebrecht”.

Em março de 2017, o Misto Brasília publicou que a Odebrecht encontrou em Angola um refúgio para as turbulências que enfrenta desde o início da Lava Jato. é um dos 12 países onde, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a Odebrecht confessou ter cometido crimes de corrupção investigados pela Lava Jato.

Em nota à BBC Brasil à época, a Odebrecht disse que a Lava Jato não atrapalhou suas atividades em Angola e que “segue atuando normalmente no país”.

Um ano antes desse registro, o site Misto Brasília também divulgou que o procurador-geral da República de Angola, João Maria de Sousa, tinha informado que iria colaborar com as autoridades brasileiras nas investigações do suposto envolvimento do ex-presidente Lula da Silva em escândalo que envolve aquele país africano.

Em março próximo, o Ministério Público de Angola deverá entregar a ação principal do processo cível contra Isabel dos Santos, o marido Sindika Dokolo e o braço-direito Mário Leite da Silva no Tribunal Provincial de Luanda, segundo disse ao portal Portugal Público o porta-voz da Procuradoria-Geral da República

A complexa trama de ocultação de moedas e patrimônio, operada por meio de uma série de empresas em paraísos fiscais, envolveria Isabel dos Santos.

O emaranhado sistema de corrupção envolve também a consultora PricewaterhouseCoopers (PwC), que confirmou na segunda-feira que tinha terminado todas as ligações contratuais com as empresas ligadas a Isabel dos Santos. Quase todo o comando da consultora se demitiu por conta desse caso.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), com sede em Nova York, publicou uma coletânea de arquivos que supostamente mostram como Santos transferiu centenas de milhões de dólares de dinheiro público para contas no exterior. Os mais de 715 mil arquivos – apelidados de “Luanda Leaks” – foram investigados por 120 repórteres em 20 países, incluindo Brasil e Alemanha.

O bilhão roubado – A agência DW publicou que segundo os arquivos vazados, nos últimos anos Santos e seu marido fundaram mais de 400 empresas em 41 territórios, entre eles paraísos fiscais como Malta, Ilhas Maurício e Hong Kong. Essas empresas se beneficiaram continuamente de contratos públicos, serviços de consultoria e empréstimos em Angola.

No final de dezembro passado, as autoridades angolanas congelaram os bens de Santos no país africano, após alegações de promotores de que ela e seu marido haviam desviado mais de US$ 1 bilhão das empresas estatais Sonangol e Sodiam. Santos foi colocada por seu pai à frente da Sonangol em 2016. Mais tarde, ela foi demitida dessa posição pelo sucessor de José Eduardo dos Santos, o atual presidente João Lourenço.

Isabel dos Santos continua a negar qualquer irregularidade. “Minha fortuna se baseia no meu caráter, minha inteligência, educação, capacidade de trabalho, perseverança”, escreveu Santos em plataformas da rede social. Ela insiste que tanto a investigação atual em Angola quanto o “Luanda Leaks” são ataques politicamente motivados e coordenados contra ela.

Atualmente, há muitas investigações contra funcionários do governo atuais e antigos. Vários generais e membros do Parlamento foram indiciados, e alguns estão presos. “Há um esforço do governo para realmente apresentar tantos casos quanto o sistema judicial possa lidar.”

Um grande problema, no entanto, é a falta de reforma desse sistema em Angola. “Todos os juízes e procuradores atualmente em exercício foram nomeados pelo próprio Santos”, explica Morais.

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