O duplo desafio do PT

autor André Pereira Cesar

Postado em 15/08/2018 08:10:00 - 07:49:00


Fernando Haddad quando chegava no Diálogo Unecs com candidatos à Presidência da República/Divulgação

Partido precisa do apoio e do carisma de Lula para engrossar suas bancadas no Congresso

O PT entra no processo eleitoral com um duplo desafio à frente - levar seu candidato à presidência ao menos ao segundo turno e, simultaneamente, manter seu peso no quadro político nacional. Não será fácil atingir esses objetivos.

Comecemos pela disputa presidencial. O nome de Lula segue povoando corações e mentes da militância e também de parcela significativa do eleitorado. Na faixa dos 30% da intenções de voto nas pesquisas em que têm seu nome apresentado, o líder petista é, inegavelmente, competitivo. Esse fato ajuda a explicar a estratégia do partido em manter seu nome na disputa, contrariando decisão judicial.

Aí começam os problemas para o PT. A batalha jurídica que se arma no horizonte com a confirmação da candidatura Lula é francamente desfavorável aos petistas. A ministra Rosa Weber, que acaba de assumir a presidência do TSE e comandará o julgamento da legalidade da chapa encabeçada por Lula, tem se manifestado a favor da regra da inegibilidade para condenados em segunda instância. Tida como "fria, discreta e legalista", ela sinaliza que não dará chances à demanda do partido.

Fica então o dilema - abandonar logo o nome de Lula e partir para o "plano B" ou insistir até o limite nessa estratégia, para reforçar ainda mais a conexão do líder com o eleitorado?

A decisão não é consensual dentro do partido, assim como não é consensual o nome por ora escolhido para substituir Lula - o ex-prefeito Fernando Haddad. Outro potencial candidato nas fileiras petistas, o ex-governador Jaques Wagner, recentemente alertou o partido dos riscos de se postergar uma decisão que se sabe necessária. Em sua opinião, compartilhada por outros petistas, quanto mais cedo o nome de Haddad (ou outro qualquer) for apresentado como candidato oficial, maiores as chances de êxito. Sempre apresentando o escolhido como o "candidato de Lula".

Essa força de Lula ajuda também o partido a enfrentar o segundo desafio, a manutenção de seu peso na cena política nacional. Sem grandes puxadores de votos pelo país e com importantes lideranças hoje presas ou alijadas da política, o PT precisa do apoio e do carisma de Lula para engrossar suas bancadas no Congresso Nacional e nos estados. É do conhecimento geral que não há, em política, transferência automática de votos, mas a presença de Lula na campanha, mesmo encarcerado em Curitiba, tem grande valor - bem como as alianças que os petistas fizeram em quinze estados com partidos que apoiaram o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A situação do PT é similar à de seu grande antagonista, o PSDB. As duas agremiações vivem aquilo que pode se chamar de "extrema dependência das lideranças máximas". No caso do PT a situação de Lula expõe essa realidade. No PSDB, o ex-presidente Cardoso tem o mesmo papel de figura de referência. Em ambos os casos, a renovação dos quadros de liderança não se concluiu a contento.

Para concluir, o 15 de agosto terá forte caráter simbólico para o PT e seus apoiadores e simpatizantes. A grande massa presente em Brasília para acompanhar a inscrição da chapa com Lula à frente, no TSE, mostra que os petistas mantém capacidade de mobilização. Mais ainda, as imagens do evento correrão o mundo e poderão reforçar, para alguns, a percepção de Lula como "preso político". Hoje, o PT faz um movimento importante no processo sucessório.


Treinamento de incêndio no Congresso Nacional nesta sexta-feira - parte dois
Treinamento de incêndio no Congresso Nacional nesta sexta-feira
veja +
Ibaneis fiz que sem reforma da Previdência DF será prejudicado
Presidente da comissão quer votar reforma da Previdência até fim de junho
Especialistas apontam relação entre gordura trans e aumento de doenças cardiovasculares
veja +