A política vai ao supermercado

autor André Pereira Cesar

Postado em 19/07/2018 10:23:52 - 10:00:00


Começa o prazo das convenções partidárias e se intensificam as negociações/Arquivo

Alguns posicionamentos já estão consolidados, mas há muita especulação e conversas em curso

Nos anos sessenta, Norman Mailer, um dos papas do Novo Jornalismo, publicou uma série de artigos retratando as convenções partidárias dos Democratas e dos Republicanos nos Estados Unidos. O material foi compilado como "O Super-homem vai ao supermercado" - mesmo título do texto sobre a convenção dos Democratas que lançou a candidatura presidencial de John Kennedy.

Trata-se de um trabalho precioso e delicioso, acessível a todos aqueles que se interessam por política e textos de qualidade. Os artigos mostram em profundidade comportamento dos atores envolvidos em momentos chave do processo decisório das agremiações.

Façamos um rápido corte para os meses de julho e agosto de 2018 no Brasil. Entre 20 de julho e 5 de agosto, os partidos definirão suas candidaturas, alianças e coligações. Guardadas as muitas diferenças entre Brasil e Estados Unidos, é impossível não ter em mente o trabalho de Mailer.

Alguns posicionamentos já estão consolidados, mas há muita especulação e conversas em curso. A incerteza segue sendo a tônica.

Primeiro colocado nas pesquisas quando o nome de Lula não é apresentado, o deputado Jair Bolsonaro dá alguns sinais de fadiga. Estacionado na faixa dos 20% de intenções de voto, ele sofreu dois reveses importantes - não terá o apoio do PR e a alternativa para ocupar a vaga de vice, o general reformado Augusto Heleno, foi desautorizado por seu partido, o PRP. O quadro atual mostra as limitações e fraquezas do deputado, bastante fragilizado nesse momento.

Ciro Gomes também vive um momento turbulento. O neopedetista ainda patina em suas conversas com o Centrão (DEM, PP, Solidariedade e PR) e, dias atrás, envolveu-se em bate-boca público com integrantes do MP-SP. O lado mercurial do candidato voltou em grande estilo. Igualmente a carta que enviou para Boeing e Embraer, questionando a operação entre as duas empresas, não caiu bem.

Quem pode comemorar é Geraldo Alckmin. O tucano conseguiu o apoio do PTB e do PSD. O movimento dos dois partidos pode estimular o Centrão, ainda dividido entre o PSDB e Ciro Gomes, a ingressar na chapa. Além disso, Alckmin ganha importante tempo de propaganda e afasta o "fantasma" João Dória.

No front estritamente governista, nada de novo. O ex-ministro Henrique Meirelles patina em sua pré-candidatura e é alvo de duras críticas do próprio MDB. A mais recente partiu de Renan Calheiros, que questiona a opção do partido por Meirelles.

Por fim, o PT insiste em Lula, apesar da Justiça. Fernando Haddad segue como o principal "plano B" do partido, mas o nome de Jaques Wagner retornou à bolsa de apostas. A novela prosseguirá por mais um bom tempo.

A política brasileira vai ao supermercado. No caso, um supermercado composto de ideias, propostas, projetos, afinidades, tempo de propaganda e estrutura partidária. Tudo serve para balizar as decisões e opções dos atores envolvidos no processo.


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