A melhor defesa contra o melhor ataque

autor Misto Brasília

Postado em 05/07/2018 16:54:37 - 16:40:00


Alisson Becker e Thiago Silva vibram com a vitória da seleção brasileira/Divulgação/Fifa

Histórico entre Brasil e Bélgica é curto. São quatro confrontos. Em 3 amistosos, Brasil venceu 2

O duelo entre Brasil e Bélgica, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, será a primeira verdadeira prova de fogo no torneio para duas seleções recheadas de talentos, mas que têm se destacado por qualidades bem distintas. A partida desta sexta-feira (06), em Kazan, reserva o confronto do melhor ataque contra a melhor defesa do Mundial na Rússia.

Com 54 gols em 25 partidas, o ataque brasileiro ostenta uma estatística respeitável, mas visivelmente inferior aos 76 gols em 24 jogos assinalados pela Bélgica – média de 3,1 por jogo. O poderio ofensivo dos belgas certamente se deve à presença do francês Thierry Henry na comissão técnica.

O carrasco do Brasil em 2006 e principal jogador do avassalador Arsenal, campeão inglês invicto em 2004, exerce a função de ajudar na evolução mental e técnica da equipe.   

Nestes mesmos 24 jogos, a Bélgica sofreu 21 gols – na Copa são quatro. A Bélgica atua geralmente com uma linha de três defensores e apenas um volante: Axel Witsel. 

A Seleção do Brasil ostenta a fama de possuir o melhor sistema defensivo do mundo: em 25 partidas sob o comando de Tite, o Brasil sofreu somente seis gols – na Copa, apenas um.

Tite deu à seleção brasileira uma estrutura tática que permite variações estratégicas durante uma partida e conseguiu recuperar atletas, como Thiago Silva, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto e, num sentido coletivo, até Neymar. 

O encontro da talentosa geração belga e da reformulada seleção brasileira coloca frente a frente jogadores que se conhecem muito bem, que são protagonistas dos principais clubes da Europa e, em muitos casos, colegas de equipe ou adversários em ligas nacionais. Ambos os lados possuem informações sobre qualidades e fraquezas – não há segredos nem surpresas.

A seleção brasileira conta com a volta de Marcelo na lateral-esquerda. O suspenso Casemiro será substituído por Fernandinho. A ausência de Casemiro é importante, porque o volante do Real Madrid é peça fundamental no sistema defensivo – seu posicionamento à frente de Thiago Silva e Miranda permite uma constante superioridade numérica no setor. Com a entrada de Fernandinho, o Brasil perde em poder de marcação, mas ganha em qualidade na saída de jogo. A Bélgica não tem desfalques. 

A base dos Diabos Vermelhos é formada por atletas que atuam na liga inglesa, onde também jogam Willian, Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Danilo e Ederson. Os meias Philippe Coutinho, que até outrora defendia o Liverpool, e Paulinho são companheiros do defensor Thomas Vermaelen no Barcelona.

Miranda, Douglas Costa e Alisson enfrentam Dries Mertens no Campeonato Italiano. Além disso, Neymar, Thiago Silva e Marquinhos são colegas do lateral Thomas Meunier. De quebra, Renato Augusto enfrenta Axel Witsel e Yannick Ferreira Carrasco na liga chinesa.

Estreias no mesmo dia - O duelo de talentos é também o tira-teima de dois projetos que foram iniciados quase simultaneamente. Os treinadores Tite e Roberto Martínez assumiram as seleções de Brasil e Bélgica em meados de 2016 e, curiosamente, estrearam no mesmo 1º de setembro – Tite venceu o Equador, enquanto Martínez perdeu para a Espanha, a única derrota do treinador espanhol no comando dos Diabos Vermelhos.

Ambos tiveram como objetivo recuperar a credibilidade de suas seleções. Enquanto Tite assumiu uma seleção brasileira desacreditada, sob a sombra da vexatória derrota por 7 a 1 no Mundial de 2014, Martínez buscou recuperar a autoconfiança da elogiada geração belga depois da campanha frustrante na Eurocopa de 2016, quando foram eliminados pelo País de Gales.

Os trabalhos de Tite e Martínez mostraram resultados, ainda que distintos. (Da DW)