É Funktástico!

autor Maya Félix

Postado em 25/06/2018 08:16:40 - 08:02:00


Anitta e a letra ''só as cachorras, as preparadas, as popozuda, o baile todo''/Arquivo/Divulgação

Imagino se os homens que assediaram as russas as viram como “malandras” ou coisa do tipo

A apresentadora do Fantástico, indignada, fez cara de horror diante dos brasileiros mal-educados que assediavam russas. Vídeos e vídeos mostraram, para vergonha nacional, homens com muita testosterona e álcool no sangue gritando e insultando uma mulher (uma de cada vez, quanta cortesia). Sim, todo assediador tem essa característica: um cérebro pequeno, pouco amor próprio, a necessidade de diminuir o outro desonestamente a fim de parecer grande.

O que me chamou a atenção não foi a cara de horror da apresentadora, foi o que veio a seguir. “Veja Anitta no Rock in Rio Lisboa!” Ninguém nunca se perguntou como aqueles brasileiros – e outros, que frequentam os índices assustadores de agressões a mulheres ou homicídios – chegaram a esse ponto? Vou dar um palpite: “Eu vou cortar você na mão / Vou mostrar que eu sou tigrão / Vou te dar muita pressão...” Alguém aí se lembrou disso? Mais uma música fantástica que ajudou a formatar a mente e o comportamento de milhões de brasileiros: “Só as cachorras / As preparadas / As popozuda / O baile todo...”

Mas encontrei também essa pérola do Mr. Catra: “Eu como bispo catra da nova ceita / Eu inventei uma nova religião / Nova religião não uma nova ceita / Eu inventei uma ceita chamada busceota / Ou você aceita ou você não aceita / Primeiro mandamento / É que tem que estar limpinha / Tem que estar aparadinha saudável e na moral / Toda busceita é igual perante ao meu pau” E aí, beleza? Deve ser disso que se alimentam os brasileiros que estão lá na Rússia mandando a cidadã daquele país falar que tem a “busceita rosa”. Qual o espanto?

E agora, Anitta: Vai, malandra, an na / Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum / An an, tutudum, an na / Vai, malandra, an na / Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum/ An an, tutudum, an na / ... Desce, rebola gostoso / Empina me olhando / Te pego de jeito / Se eu começar embrazando contigo / É taca, taca, taca, taca.

À parte a poesia florescente da letra, imagino se os homens que assediaram as russas as viram como “malandras” ou coisa do tipo. Parece que sim, não é? Cabe o olhar assustado da Poliana Abritta? Será, mesmo, que anunciando Anitta depois de mostrar uma reportagem dos abusos cometidos algum programa ou emissora age de forma lógica ou consequente...?

Por fim, uma obra de arte da mais nova sensação da Rede Globo: Jojo Toddynho. Mais educativo sobre abuso, impossível. Ela é a sensação: “Vem pra cá novinho / Que eu tô muito quente / Vem pra cá novinho / Que eu tô muito quente / Vou dar / Vou dar uma sentada / Uma sentada diferente / Vou dar uma sentada / Uma sentada diferente”.

Não é impressionante que depois de anos de funk na cabeça os homens tratem as mulheres como objeto? Não é incrível que a sexualidade na pré-adolescência tenha explodido, gerando crianças de 11, 12 anos grávidas (e esses do funk e do Funktástico vêm pedir a legalização do aborto!)? Não é incrível que a violência contra a mulher só aumente? Que as DSTs cresçam exponencialmente? Por anos, anos a fio a mídia povoa a mente dos jovens com letras violentas e pornográficas e agora, quando colhe os louros da vitória, faz biquinho.

 


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