Os fenômenos que se escondem no pôr do sol

autor Misto Brasília

Postado em 23/06/2018 10:46:57 - 10:38:00


O pôr de sol em Brasilia é deslumbrante, principalmente nas estações do Inverno e Primavera/Sema/DF

Seja do litoral ou de um outro ponto de vista, ver o sol desaparecer no horizonte é sempre lindo

Texto de Eduard Masana

A temporada de solstício de verão, em que temos um grande número de horas de sol, convida-o a desfrutar da natureza e atividades ao ar livre. Sem dúvida, uma boa maneira de terminar um desses longos dias é testemunhar um pôr do sol. 

Seja do litoral ou de um ponto de vista elevado, ver o sol desaparecer no horizonte é sempre uma visão bonita. Para tornar esse fenômeno ainda mais atraente, à sua beleza intrínseca, podemos acrescentar algumas noções de física que nos ajudarão a compreendê-lo melhor. 

Para começar, durante o pôr do sol, vemos o sol atenuado, de modo que quase podemos vê-lo sem proteção. Apesar de cuidadoso:  que a sua luz não nos incomoda excessivamente não significa que não pode prejudicar nossos olhos, especialmente se olharmos para ele através da lente de uma câmera. Nós sempre temos que ser cautelosos quando olhamos para o sol.

A atenuação é porque, estando perto do horizonte, o caminho que a luz solar faz através da atmosfera é maior do que quando está alto no céu, como seria ao meio-dia. As partículas que compõem a atmosfera são responsáveis ​​pela absorção, de modo que, quanto mais viajamos pela atmosfera, mais luz é absorvida e quanto mais obscuro, vemos o disco solar.

Horizonte avermelhado - Nós também temos a tonalidade avermelhada que o sol adquire quando se aproxima do horizonte. Para entender isso, temos que pensar que a luz do sol é composta de cores diferentes. Ao passar pela atmosfera, a luz é espalhada (desviada) pelas pequenas partículas que a formam. Nem todas as cores são dispersas da mesma maneira.

A luz azul, de comprimento de onda menor, é mais afetada, de modo que é desviada em todas as direções. É por isso que vemos o céu azul. Em contraste, a luz vermelha, com um comprimento de onda maior, é pouco afetada. Ao olhar diretamente para o sol, a luz original perdeu muito da cor azul, que foi desviada em outras direções, mas mantém quase toda a cor vermelha. 

Esse efeito, como a absorção, é acentuado à medida que o sol se aproxima do horizonte, pois, ao cruzar mais atmosfera, a dispersão é maior. Quando observamos um pôr do sol em um dia com neblina, a vermelhidão é ainda mais evidente, já que as partículas que formam a neblina espalham a luz azul com muita eficácia.

Sol aplainado - Outro efeito que às vezes podemos observar em um pôr do sol é que seu disco parece um pouco achatado. A causa disso é a refração atmosférica. A atmosfera se comporta como uma lente, de modo que ela dobra os raios de luz e faz com que as estrelas pareçam mais altas do que realmente são. 

A refração depende muito da altura da estrela no horizonte, sendo zero na direção do zênite e aumentando significativamente à medida que nos aproximamos do horizonte. Assim, a borda inferior do sol, mais próxima do horizonte, é mais afetada pela refração e, portanto, aumenta sua altura acima do horizonte, do que a borda superior. O resultado é que o disco solar perde sua forma circular e aparece achatado.

O raio verde - E se tivermos muita sorte, podemos observar o raio verde, o fenômeno que o protagonista do romance homônimo de Júlio Verne persegue metade do mundo. A refração afeta mais a luz azul e menos a luz vermelha. Quando há apenas uma pequena porção do sol acima do horizonte, refracção decompõe-se a luz de uma cor banda semelhante à do arco-íris, com azul e violeta, mais refratada na parte superior, e vermelho, menos refratada em o fundo. 

Esta faixa minúscula desaparecerá gradualmente abaixo do horizonte: primeiro vermelho, depois laranja, depois amarelo e verde. As últimas cores a desaparecer são azuis e violetas, mas já comentamos que precisamente essas cores são as que mais se dispersam, de modo que são desviadas antes de nos alcançar. É por isso que, se as condições certas forem cumpridas, o último clarão de sol que vemos é verde.

(Eduard Masana trabalha no El Periódico)