Vila Planalto: entre o passado e o futuro incerto

autor Misto Brasília

Postado em 13/04/2018 15:50:19 - 15:37:00


Capela de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia que hoje tem 59 anos/Arquidiocese de Brasília

O acampamento símbolo da construção de Brasília está ameaçado como patrimônio histórico

A menina que foi o símbolo da luta pela permanência dos moradores e depois pela regularização das moradias da Vila Planalto é hoje mulher feita. A carta que ela entregou ao então presidente José Sarney foi o divisor de águas da luta dos candangos pelo direito à posse.

A Vila Planalto está a poucos passos do centro do poder em Brasília, mas por muito tempo permaneceu como uma favela.

Leiliane Rebouças é hoje bacharel em Relações Internacionais e continua morando na Vila Planalto, que neste ano comemora 30 anos do tombamento como patrimônio histórico. Leiliane está preocupada novamente com a Vila, que perdeu suas principais características urbanísticas de acampamento de construção de Brasília.

Ela pede que nas próximas duas décadas “tenhamos governos verdadeiramente comprometidos com a preservação do Patrimônio Histórico de Brasília e não percamos os registros de memória dos pioneiros que ainda resistem e vivem aqui”.

A preocupação da menina que ajudou a mobilizar a comunidade na década de 1980 tem um motivo. Ela teme pelos registros de “memória dos pioneiros que ainda resistem e vivem aqui”.

De 1960 até 21 de abril de 1988 mais de mil famílias dos acampamentos da Vila Planalto, do Mocó, do Maracujá e dos Anexos (onde hoje é o Projeto Orla) viviam em sobressaltos. “Eles não tinham certeza se veriam o próximo luar naquele mesmo lugar”.

Na época da construção de Brasília, a Vila Planalto era formada por 22 acampamentos e ocupava uma área de 320 hectares abrangendo a região atrás do Palácio do Planalto, todo o Setor de Embaixadas Norte, a região do Iate Clube, e ia até próximo à Concha Acústica.

Leiliane explica que durante as décadas de 1970 e 80, o controle sobre o território impediu o crescimento da Vila Planalto reduzindo-a a um quinto do seu espaço original. “À medida que encolhia, a Vila perdia toda a infraestrutura que possuía na época da construção de Brasília: supermercado da SAB, Cinema, Clubes de operários e dos engenheiros, Hospital, farmácia… etc”.

Hoje, restam apenas seis acampamentos: Pacheco Fernandes, Rabelo, Ebe, DFL (ou Defelê, Departamento de Força e Luz atual CEB), Emulpress e o Tamboril (acampamento da Raymond Concret Pilow , empresa americana responsável pela estrutura metálica dos prédios da Esplanada dos Ministérios).

Por volta de 1982 começaram a surgir as primeiras associações e entidades que reivindicavam melhorias e a permanência da Vila.

Em 1984, surgiu o Grupo de Oração e Reflexão, liderado por Antônio Donizete e Maurício. Depois surgiu o “Grupo das Dez”, grupo de donas de casas que decidiram lutar pela fixação da Vila Planalto e por melhorias para a comunidade

“Toda a nossa luta foi coroada com vitória no dia 21 de abril de 1988, quando foram assinados os decretos 11.079 e 11.080 que fixou os moradores e tombou a Vila Planalto como Patrimônio Histórico do Distrito Federal”.


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