Filme cômico sobre Stalin é proibido na Rússia

autor Misto Brasília

Postado em 01/04/2018 07:43:55 - 07:29:00


Cartaz do filme sobre o Stalin que faz uma sátira do ditador/Arquivo/Divulgação

A morte de Stalin aborda com humor a trajetória do ditador que mandou matar milhões

A magnífica sequência de abertura de A morte de Stalin  já revela bem o terror da era stalinista: uma orquestra sinfônica dá um concerto de música clássica, Josef Stalin está concentrado, escutando com atenção, emocionado. Terminada a apresentação, ele chama o diretor da sala de concertos e quer uma gravação. Mas, oh não, ninguém lembrou de gravar o espetáculo em disco. E agora?

Às pressas, a direção da casa tenta convencer o público, que em parte já deixara o salão, a permanecer em seus lugares. O concerto tem que ser repetido, por completo, desde a primeira nota. E com a mesma acústica, o que só é possível se os assentos já vazios forem preenchidos com transeuntes. Maestro e pianista devem ser convencidos a executar um concerto sinfônico inteiro pela segunda vez – agora gravando.

Só assim está garantido que Stalin receberá um registro sonoro autêntico o mais rápido possível. Senão... sim, caso contrário, o que aconteceria?

Estamos no ano de 1953. A ditadura Stalin faz vítimas diariamente. Quem não anda cem por cento na linha é preso, sequestrado, assassinado. Isso, ninguém quer arriscar, nem mesmo os perplexps espectadores e músicos na sala de concertos. Não se provoca um ditador.

A morte de Stalin  é uma maldosa sátira política sobre um dos mais brutais reinos de terror do século 20. Um filme baseado em fatos historicamente comprovados, que os apresenta de forma apenas levemente alterada, entrelaçando, assim, de maneira genial, história e comédia, documentário e grotesco.

Por trás do filme, além de autores, produtores e um elenco fantástico, está o cineasta escocês Armando Iannucci. "Quanto mais se descobre sobre esses acontecimentos reais, mais eles se parecem uma farsa", comenta o especialista em sátiras políticas, responsável, entre outras, pela série Veep, premiada com vários Emmys, que retrata o dia a dia de um vice-presidente dos Estados Unidos.

No site do Ministério da Cultura russo, o filme foi acusado de ser um escárnio e uma abominação, uma conspiração do Ocidente para desestabilizar a Rússia. Antes disso, vários membros da Duma já haviam tachado a produção de inadmissível, exigindo sua proibição, explica a DW.


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