A igualdade de gênero e raça no Oscar de 2018

autor Misto Brasília

Postado em 04/03/2018 18:39:40 - 18:28:00


Margot Robbie concorre ao prêmio de melhor atriz no Oscar 2018/Arquivo/Divulgação

Pela primeira vez em 90 anos, uma mulher foi indicada ao Oscar na categoria de melhor fotografia

Os movimentos #MeToo (Eu também) e "Time's Up" (Acabou o tempo), contra o assédio sexual sofrido por mulheres, levantaram um debate urgentemente necessário sobre a igualdade de gênero na indústria do cinema, o que representou um golpe contra a fachada glamorosa de Hollywood.

Neste ano, apenas quatro dos 20 indicados ao Oscar 2018 nas categorias de melhor atuação são negros. Entre os candidatos a melhor diretor, Jordan Peele, de Corra!, se tornou o quinto negro da história do Oscar a concorrer na categoria.

Mas muito se deve também a uma mudança entre os 8.500 membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que decidem os vencedores do Oscar, após intensos protestos contra a pouca representação feminina e negra. Grande parte dos 1.500 membros convidados a fazer parte da organização nos últimos dois anos é formada por mulheres e negros.

Em 2018, pela primeira vez em 90 anos de premiação, uma mulher foi indicada ao Oscar na categoria de melhor fotografia: a americana Rachel Morrison, diretora de fotografia do drama Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorre neste domingo (04).

O filme da Netflix aborda a discriminação racial no sul dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. A diretora do longa, Dee Rees, é a primeira mulher negra a concorrer na categoria de melhor roteiro adaptado, ao lado do roteirista Virgil Williams.

Além disso, a americana Greta Gerwig tornou-se a quinta mulher na história da premiação a ser indicada como melhor diretora, por Lady BirdÉ hora de voar, que, aliás, conta a história de amadurecimento de uma garota de personalidade forte em seu último ano de ensino médio.

Ao todo, entre os 199 indicados neste ano, apenas 46 mulheres concorrem ao prêmio. E elas não estão nem presentes em todas as categorias: não há indicações femininas aos prêmios de melhores efeitos visuais, melhor edição de som e melhor trilha sonora original, por exemplo.

A pouca representação feminina é, no entanto, um problema que aflige a indústria cinematográfica como um todo, e acaba se refletindo no Oscar, segundo mostrou uma pesquisa recente do Centro de Estudos sobre Mulheres na Televisão e no Cinema, com base em San Diego.

A proporção entre homens e mulheres nos bastidores das 250 maiores produções cinematográficas dos últimos 20 anos pouco mudou: cerca de 80% das pessoas atrás das câmeras são homens, uma porcentagem que se manteve constante ao longo desse período, afirmou o estudo.

Ao analisar mil filmes produzidos entre 2011 e 2015, o grupo concluiu que, em mais de 90% dos casos, o som ficou nas mãos de homens, assim como 85% das funções de câmera. (Da DW)


Temer diz em pronunciamento que torce pelo novo presidente
Governadores eleitos e reeleitos entregam carta a Bolsonaro
veja +
Universidades apoiam criação de fundo patrimonial, mas criticam trechos da MP 851
Comissão aprova isenção de IPVA a ex-proprietário de veículo
Excesso de peso em bagagens no transporte aéreo pode ter novas regras
veja +