Pezão e Marcelo ausentes

autor Maya Félix

Postado em 14/02/2018 08:20:46 - 07:58:00


Beija-Flor desfilou com críticas à desigualdade e contra a corrupção/Arquivo/Reprodução Vídeo

O primeiro foi para Piraí, no interior do estado, enquanto Crivella foi para a Alemanha

Prometi a mim mesma que não ia opinar a este respeito, mas eis-me aqui já elaborando minhas ideias acerca do tema. Não consigo, simplesmente, fazer cara de paisagem. Acompanho a avalanche (não é apenas uma “onda” serelepe, já saiu do controle há muito) de violência que se abate sobre o Rio de Janeiro e adjacências – minha bela Niterói, onde fiz meu doutorado, e outras.

Estou tristíssima por ver até onde chega o poder do tráfico, do armamento ilegal, da falta de armamento legal ao cidadão desamparado, do bom treinamento e dos equipamentos devidos à polícia além de um verdadeiro plano de segurança pública. Entra governador, sai governador, o que há são medidas paliativas. E a guarda municipal? Como atua para prevenir a absurda violência que hoje presenciamos?

Neste ano, durante o Carnaval, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella se ausentaram da capital do estado do Rio de Janeiro e viajaram. O primeiro foi para Piraí, no interior do estado, enquanto Crivella foi para a Alemanha.

Caso a cidade estivesse sem nenhum problema, sem crianças morrendo, turistas sendo roubados, moradores da própria cidade sendo assaltados e bandidos praticamente mandando em favelas inteiras, oprimindo populações, definindo rotinas e subjugando a própria polícia, não haveria, a princípio, nenhum problema nas viagens dos políticos. Mas não é o caso. Eles se ausentam e deixam a capital em estado de terra arrasada. Logo eles, que foram eleitos para liderar, proteger e honrar – não apenas administrar.

Vou costurar hipóteses para essas ausências. Apenas hipóteses. O fato de Crivella ser evangélico não deveria afastá-lo da cidade nos dias de Carnaval: pelo contrário. Diz a Bíblia: Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo (1 João 4:4). Ou seja, Deus não nos deu (a nós, que conhecemos seu nome) um espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio, para que ele, como prefeito, ajude o povo que o elegeu, mas também o que não o elegeu, pois é prefeito de todos, e não apenas dos evangélicos. Todos pagam impostos, todos padecem com a violência. Todos merecem um trabalho digno e honrado de sua parte.

Quanto a Pezão, eu me pergunto por que ainda não renunciou. Era vice de Sérgio Cabral. Quanto teve de participação nos desmandos de seu cabeça de chapa? Por outro lado, é preciso reconhecer que a doença do qual foi recentemente acometido o abateu e o deixou sem forças. Mais um motivo para pensar em entregar o Rio de Janeiro em mãos mais dispostas. A ausência e o abandono constantes não são uma opção.


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