William Waack - o Dreyfus brasileiro

autor Misto Brasília

Postado em 23/11/2017 10:28:18 - 10:20:00


Jornalista William Waack foi afastado da bancada da Globo/Arquivo/Divulgação

O linchamento moral resulta também dos seus posicionamentos políticos na Globo News

Texto de Edmundo Lima de Arruda Júnior 

William Waack é racista? Talvez, tanto quanto eu ou você, que lê este artigo. Racismo, preconceito e discriminação são conceitos que se implicam, embora sejam distintos. A confusão é comum, em grande medida por causa da dificuldade de determinar o alcance e a profundidade que cada um dos termos possui, concretamente, com suas consequências. Faço rápida consulta no Google e dicionários. Já serve.


O racismo diz respeito às concepções do ser humano com ordem hierárquica entre etnias, com pressuposta superioridade de uma delas, gerando hostilidade em relação às outras, consideradas inferiores.

Discriminação refere-se à quebra do princípio da igualdade. Trata-se de distinções por atitudes, preferências, exclusões, com relação a cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso, convicção política, etnia. A lista é maior do que as previsões legais. 

Preconceito é a opinião, sentimento favorável ou desfavorável, sem o devido cuidado com a repercussão, produzida por uma experiência particular ou pelo meio cultural, que conduz, geralmente, à intolerância.

Waack é racista? Deixemos que a longa vida pública dele, como professor, escritor, jornalista, responda a essa interrogação. Jamais defendeu a supremacia branca, ariana, ou qualquer tese que implicasse em superioridade de uma etnia em relação a outra. Na vida privada avolumam-se os testemunhos de brancos, afrodescendentes, todos a seu favor. De fato, Waack sempre esteve na companhia de gente boa demais.

Waack praticou discriminação? Em seu comentário inaudível, não se configura tal hipótese, concretamente. O jornalista se vira e faz o comentário sobre um motorista buzinando, distante deles centenas de metros. 

Waack agiu com preconceito? Sim, embora seja um exemplo de tolerância, para os que o conhecem. Mas Waack foi descuidado e não pensou nas consequências do que falou, se falou. Já pediu desculpas a todos que se sentiram feridos.

Waack não é judeu, mas é acusado de ser um judeu antissemita… Talvez o Grupo Globo não mais tolerasse suas posições, que nunca foram antissemitas, mas críticas às políticas de Israel nos revides à resistência armada, com bombardeios bárbaros e covardes em acampamentos palestinos, trucidando, queimando e soterrando mulheres e crianças entre a população civil.

O linchamento moral de Waack resulta também dos seus posicionamentos políticos na Globo News e nas palestras que proferia Brasil afora. Ele vinha se manifestando de forma excessivamente livre e quase sem disfarce, um comportamento inconveniente para jornalistas nos estúdios da Rede Globo e demais televisoras do Brasil, a não ser que se queira cometer “sincericídio”. Andava assustado com o atraso do Brasil, cuja causa via no fechamento do País à mundialização.

Vinha responsabilizando os governos lulistas por isso, porquanto optaram pelo velho modelo agroexportador, abandonando definitivamente o investimento em tecnologia de ponta e o planejamento consequente de políticas industriais. Como é sabido, nossa indústria virou sucata, sem a menor condição de competitividade.

O “escândalo” de William Waack se parece até com o “Affair Dreyfus”. Aconteceu na França, em 1894, quando também se cometeu enorme injustiça. Um capitão judeu, Alfred Dreyfus, foi acusado de espionagem e acabou deportado para a ilha do Diabo, na Guiana, onde permaneceu mais de quatro anos. Continuaria a viver sob intenso ataque em Paris, tendo contra si o exército, a igreja, partidos, a justiça, a mídia. Depois de doze anos nesse inferno, o capitão judeu acabaria reabilitado e reintegrado no exército. Nessa altura seus inimigos já sabiam, com certa decepção, que aquele era um judeu inocente demais para se envolver em crimes de alta traição. Uma diferença: ao contrário do que se passava naquele tempo, hoje os perseguidores são politicamente corretos.

Em posições extremadas, alguns consideram William Waack um fascista. Eu não acredito muito ser possível dialogar com um fascista, como quer e ensina certa filósofa. Os fiéis do lulismo e o pessoal do puxadinho da esquerda sempre chamaram de fascista a quem lhes fizesse oposição. Muitos deles veem fascismo em tudo e todos e, claro, não pouparam o competente jornalista da Globo. 

Na verdade, William Waack não tem nada de racista ou fascista, mas quem insiste em acusá-lo disso é que merece o carimbo de fascista aplicado na testa. A patrulha ideológica do politicamente correto cresceu e reforçou a vigilância. Haja saco! (Edmundo Lima de Arruda Júnior é professor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina)


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