Colorismo ainda não caiu na boca do povo

autor Misto Brasília

Postado em 20/11/2017 15:02:17 - 14:54:00


Colorismo é um fenômeno normalizador/Arquivo

O conceito é usado para chamar a atenção para os diferentes níveis de preconceito

O colorismo não é um termo novo no movimento negro, mas ainda não caiu na boca do povo. Agora, com a ajuda das redes sociais, começa a alcançar um público maior. Além da Tia Má, outros youtubers já trataram do assunto nas suas redes sociais, como Nátaly Neri (do canal Afros e Afins), Gabi Oliveira (De Pretas), Sá Ollebar (Preta Pariu), Rayza Nicácio e Spartakus Santiago.

Com seu jeito alto astral e assertivo, Tia Má tem hoje mais de 340 mil seguidores no Facebook. Discussões relacionadas ao universo negro e ao racismo são recorrentes em seus vídeos - o do colorismo está entre os de maior audiência na sua página oficial, com 773 mil visualizações, escreve Mariana Schreiber, da BBC.

O conceito é usado para chamar a atenção para os diferentes níveis de preconceito e marginalização sofridos pela população negra, dependendo de quão mais afrodescendente é sua aparência. Isso inclui não só a tonalidade da cor, mas também outras características, como largura do nariz, grossura dos lábios e textura dos cabelos.

"Os chamados negros na verdade vêm de múltiplos povos de várias regiões do território africano, assim como os brancos também têm as suas várias diferenças étnicas e culturais vindas da Europa. A miscigenação não elimina essas diferenças, ela multiplica", nota o sociólogo Ronaldo Sales, especialista em questões étnico-raciais e professor da Universidade Federal de Campina Grande (na Paraíba).

"O colorismo de alguma forma expressa essas diferentes dinâmicas. É a ideia de que não estamos falando de uma oposição entre os sem cor e os de cor, mas na verdade de um processo de contraste e diferenciação que utiliza esses critérios como forma de hierarquização social, e que não é linear", acrescenta.

A advogada e militante Alessandra Devulsky, atualmente pesquisadora na Universidade de Montreal (no Canadá), explica que o colorismo está baseado na ideia de que existe um fenótipo (isto é, um conjunto de características físicas) normalizado: o europeu. O ideal, segundo essa lógica, é ser alto, ter a pele clara e os traços que remetem à "raça ariana".


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