Bandido bom é bandido morto no Brasil?

autor Misto Brasília

Postado em 30/10/2017 15:27:21 - 15:22:00


Foto - Misto Brasília

Foram 4.224 casos em 2016, siginifcando aumento de 27% em relação a 2015, segundo Fórum de Segurança

No Brasil, o número de cidadãos mortos, em consequência da ação policial, totalizou 4.224 casos em 2016, o que correspondem a 27% em relação ao de 2015, quando foram registradas 3.330 mortes.

Os dados foram divulgados no Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta segunda-feira (30) em São Paulo. O estado do Amapá liderou o ranking com 7,5 casos por 100 mil habitantes. Em segundo lugar o Rio de Janeiro teve 5,6 casos por 100 mil habitantes. E em terceiro ficou Sergipe com 4,1 casos por 100 mil habitantes.

De acordo com o levantamento, o padrão desses mortos pela polícia é homem, jovem e negro. Sendo que 99,3% dos mortos são de homens que estavam envolvidos em ações policiais, desses, 82% possuíam entre 12 e 29 anos, -- com 17% tendo entre 12 e 17 anos. E 76% são negros.

Na opinião da diretora Exectuiva do Fórum, Samira Bueno os dados são graves porque mostram o quanto a juventude está vulnerável à ação da polícia. “E a gente sabe que muitos desses casos não são investigados. Então, não sabemos o quanto desses casos policiais usaram de fato a força  legítima, e quanto foram de fato execuções”, complementou.

Já entre 2009 e 2016, foram registradas 21.897 mortes durante tais ocorrências. Não incluindo nesses dados os resultados de chacinas e demais homicídios, se atendo restritamente a casos de mortes consequentes de ações policiais.

Na visão do policial militar e pesquisador do Fórum, Elisandro Lotin, as jornadas dos agntes são extenuantes, trabalham sem equipamento obrigado, com colete vencido e armamento ultrapassado. “Temos uma sobrecarga de trabalho, desgaste físico e mental dos profissionais hoje nas ruas. Por conta de uma pressão interna e externa. Porque, para a sociedade, bandido bom é bandido morto, e o Estado somatiza isso. Na concepção do policial, ele está fazendo a coisa certa”, frisou Lotin. 

Na corporação policial, o número de militares vítimas de homicídio também recrudesceu. Segundo a pesquisa, o perfil dos policiais é 31% entre 30 e 39 anos; 33% tem entre 40 e 49 anos; e 21% tem entre 50 e 59 anos. Proporcionalmente, a maior parte é negra, ou seja 56%. Enquanto 43% dos policiais mortos são brancos.

Segundo Samira Bueno, grande parte dos policias morrem fazendo bicos (serviços prestados para complementar renda), ou são executados justamente por serem policiais, ou ainda em reação a um roubo por estarem armados. “Essa ideia de que policial é policial 24 horas é uma falácia, que só o coloca em estado de mais vulnerabilidade. Ele é policial no serviço. Fora do serviço, ele precisa ter seus direitos respeitados como um cidadão comum”, ressalta. Com Folha online.


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