O fenômeno Paulo Coelho

autor Misto Brasília

Postado em 24/08/2017 20:03:18 - 19:58:00


Paulo Coelho, o escritor brasileiro mais conhecido, faz 70 anos/Arquivo/Buyer

Ele tornou-se o autor brasileiro mais conhecido no exterior por conta de livros como O Alquimista

O romance brasileiro de maior sucesso no mundo hoje poderia ser a própria vida deste brasileiro, o escritor Paulo Coelho, que completou 70 anos nesta quinta-feira (24), ainda que seus livros não sejam imediatamente reconhecíveis no exterior como saídos da pena de um brasileiro.

É possível que um dia se mostre a maior vitória de Paulo Coelho: a quebra dessas expectativas em leitores internacionais em sua relação com a escrita produzida no Brasil.

Entre a exuberância tropical de certas histórias de Jorge Amado e a escatologia urbana do romance de Paulo Lins por sua versão cinematográfica, Cidade de Deus, Paulo Coelho tornou-se o autor brasileiro mais conhecido no exterior, produzindo narrativas desterritorializadas em um mundo que se tornava cada vez mais global. Sua obra foi publicada em mais de 170 países e traduzida para 81 idiomas, tendo seus livros vendido um total de mais de 210 milhões de exemplares.

Jorge Amado foi o autor brasileiro mais traduzido no mundo entre as décadas de 1940 e 1980, começando a ser superado tanto pelo declínio do interesse na Europa pela América Latina como pelo sucesso comercial de Paulo Coelho, com sua escrita que poderia ser tanto brasileira quanto americana ou europeia.

Não se podia prever o sucesso internacional que seria a vida do brasileiro apenas por seu alcance popular na voz de Raul Seixas com a canção Água viva ou com a publicação de seus primeiros livros, Arquivos do inferno (1982), O manual prático do vampirismo (1985) e O diário de um mago (1987), baseado em sua peregrinação pelo caminho de Santiago de Compostela.

Foi com o fenômeno de vendas do romance O Alquimista, publicado em 1990, que Paulo Coelho começou sua peregrinação nada imaterial pelos mercados livreiros do mundo. Num mundo ocidental sedento por guias espirituais e éticas instantâneas, o turismo religioso do autor entre o misticismo pagão de Brida e o monoteísmo islâmico em Maktub encontraria grande ressonância popular, e o carioca nascido em 1947 numa família católica se tornaria uma espécie de guru do desenvolvimento espiritual.

Sua receita era simples e eficaz: basear-se em histórias de grande alcance, sem perder tempo com grandes malabarismos de linguagem ou profundidade psicológica, dando ao leitor lições facilmente decodificáveis para sua vida pessoal em uma linguagem acessível.

A letra para a canção de Raul Seixas é um exemplo de sua estratégia: a letra, baseada fortemente no complexo poema místico A fonte, de San Juan de la Cruz, dilui o texto e populariza o que poderia ser visto como hermético no poeta espanhol. O professor e crítico Idelber Avelar definiu bem o fenômeno Paulo Coelho ao escrever que ele dá nova roupagem ao gênero da parábola na literatura comercial moderna.

"De larga tradição, dos Evangelhos à contística didática medieval, a parábola não se reduz à autoajuda porque nela opera o discurso ficcional, desestabilizando a aparente univocidade do ensinamento. Daí o fascínio de tantos leitores: simples e compreensível, a parábola preserva uma dose de mistério", escreveu Avelar.

Está aí também a pedra de tropeço para a compreensão da obra de Paulo Coelho: nem totalmente autoajuda nem completamente literatura, seus livros pairam num limbo crítico, entre as listas de mais vendidos e o chá na Academia Brasileira de Letras. (Da DW)


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