Procurador da Lava Jato acusa Gilmar de blindar corruptos

autor Misto Brasília

Postado em 29/06/2017 18:50:11 - 18:34:00


Procurador da Lava Jato, Carlos Fernando Lima e ministro Gilmar Mendes/Reprodução Google

Carlos Fernando Lima usou rede social para criticar o ministro do STF

O procurador da força-tarefa da LavaJato, Carlos Fernando Lima, acusou, por meio de mensagem em rede social, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de tentar anular as provas de corrupção produzidas pela operação e promover impunidade.

Fernando Lima entende que ao querer discutir a legalidade das delações no momento da sentença o ministro pretende induzir a anulá-las. Na visão do procurador, Gilmar "blinda corruptos" quando questiona delações.

Detalhe 1.100 pessoas haviam curtido o post até 18h57 desta quinta-feira.

Confira íntegra da mensagem postada no Facebook:

"O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NO STF

O combate à impunidade tem muito a perder hoje. Gilmar Mendes quer com seu discurso alcançar um meio para anular as provas de crimes de corrupção produzidas pela Lava Jato. Nesse aspecto, o Ministro Barroso está certo em alertar onde Gilmar Mendes pretende chegar. Vejam como ele pretende fazer.

Ao querer discutir a legalidade do acordo no momento da sentença (e aqui também em todos os recursos), o que Gilmar Mendes pretende é introduzir a possibilidade de se anular o acordo, mesmo que o Ministério Público o entenda cumprido.

Ao anular o acordo, Gilmar Mendes pretende anular tudo que foi produzido por este acordo, o que significa a anulação de todas as provas produzidas. Ou seja, se o acordo é nulo, nulas são as provas, usando, como sempre, a teoria do fruto da árvore envenenada. Se a árvore está envenenada, o fruto também está.

Dessa forma, abriria a possibilidade de serem anuladas ou reformadas todas as condenações de todas as operações em que foram as provas obtidas através ou em decorrência de um acordo de colaboração premiada, inclusive - e aqui especialmente - as condenações de Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

Gilmar Mendes, espertamente, usa a indignação da população com os benefícios alcançados pelos irmãos Batista - afinal, ninguém gosta de impunidade - para alcançar MAIS IMPUNIDADE. Só que agora de todos os poderosos envolvidos e revelados pelas investigações. Alcança-se assim o sonho de salvarem-se todos os políticos, de Lula a Temer.

Assim, o objetivo é retomar o velho caminho da impunidade através de truques formais, como sempre aconteceu em operações anteriores à Lava Jato.

Retroagir a análise da legalidade do acordo, isto é APÓS o colaborador ter entregue fatos e provas contra si e contra terceiros, inclusive de fatos desconhecidos pelas autoridades, e de ter o colaborador aberto mão do seu direito de não se auto incriminar e de recorrer da sentença que aplica a pena acordada, OFENDE os princípios da boa-fé, da confiança e da segurança jurídica.

Isto é, permite que o Estado aja como um chicaneiro.

Espero que a maioria dos ministros do STF caminhe para confirmar o entendimento tão bem expresso pelo Ministro Celso de Melo, e não permita que seja aberta a possibilidade de anularem as provas produzidas pela Lava Jato." 


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