Dia de teste

autor André Pereira Cesar

Postado em 15/05/2019 07:52:54 - 07:43:00


As explicações de Weitraub sobre cortes criam cada vez mais confusão/Arquivo/Agência Senado

Manifestações de hoje remetem ao início dos protestos no governo Dilma com a base desarticulada

O governo Bolsonaro enfrenta hoje seu primeiro grande teste nas ruas. As manifestações convocadas para todo o Brasil em defesa da educação podem inaugurar um novo momento político.

E não é só. Não bastasse o protesto de milhares de estudantes, professores, pesquisadores e trabalhadores da educação, o titular da pasta, Abraham Weintraub, tentará explicar, no plenário da Câmara dos Deputados, os cortes anunciados para o setor. Em suma, será uma quarta-feira de fortes emoções.

A convocação de Weintraub, por sinal, foi mais uma clara demonstração da desarticulação política do Planalto. Centrão e oposição se uniram e, por 307 a 82, aprovaram requerimento convocando o ministro. Placar elástico que mostra a fraqueza da base aliada.

Com pouca experiência política e enfrentando uma plateia sedenta de sangue, o risco de desgaste de Weintraub é real. Por muito menos, o ministro anterior, Ricardo Velez, deixou o cargo.

Aqui cabem duas lembranças. No caso dos protestos de rua, veem à mente as imagens de junho de 2013, quando a população saiu às ruas. Os eventos marcaram o início do fim da gestão Dilma.

A outra lembrança diz respeito à presença do ministro na Câmara. No início de 2015, o então titular da Educação, Cid Gomes, compareceu ao plenário da Casa para explicar questões relativas à pasta. Ele bateu boca com o presidente, deputado Eduardo Cunha, e com boa parte dos parlamentares. Foi demitido por Dilma minutos depois.

A história se repete? Hoje teremos uma ideia disso. De todo modo, sem um mínimo de articulação política, o governo Bolsonaro pode se tornar refém do Congresso Nacional e de grupos organizados da sociedade.


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