O jogo político do Centrão

autor André Pereira Cesar

Postado em 26/03/2019 08:29:26 - 08:20:00


As votações na CCJ, como esta no ano passado, ainda estão longe de acontecer/Arquivo/Agência Câmara

Grupo político discute a possibilidade de desenterrar e votar a proposta de reforma do governo Temer

Em meio ao aumento da temperatura política, os partidos do chamado Centrão pressionam fortemente o governo Bolsonaro. Esse, com problemas na articulação política, reage com dificuldade.

Os partidos que compõem o Centrão (PR, PP, PTB e PRB) ameaçam rebelar-se contra Bolsonaro. Sentindo-se desprestigiadas, as lideranças partidárias anunciaram que recusarão cargos. Bancadas estaduais ameaçam devolver ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) os cargos federais oferecidos pelo Planalto, sob a justificativa de não serem atraentes o bastante para justificar o apoio ao governo. Pelo menos três bancadas já anunciaram tal decisão: Paraná, Ceará e Alagoas. Outras poderão seguir essa diretriz.

Indo além, e com o apoio de DEM e MDB, o Centrão discute a possibilidade de desenterrar e votar a proposta de reforma da Previdência do governo Temer. Caso isso ocorra, será uma derrota de porte para Bolsonaro, que ainda luta pela aprovação de seu projeto.

Um sinal claro da insatisfação dos partidos com o Planalto está na dificuldade em se indicar o relator da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Em tese, não haveria problemas para se encontrar um nome entre os integrantes do colegiado, mas o quadro geral paralisou qualquer decisão.

Um primeiro teste para o movimento desses partidos ocorrerá nessa terça-feira, 26, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, falará sobre a Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Existe o risco de ele ser duramente questionado pelos parlamentares, o que apenas reforçará a percepção de que está sendo abandonado por seus antigos aliados.

Não faltarão outras oportunidades para os partidos pressionarem o Planalto. De imediato, a votação da liberação dos vistos de entrada no Brasil, anunciada com alarde pelo governo na semana passada, poderá ser rejeitada pelo plenário da Câmara. Ministros também poderão ser convocados a falar aos parlamentares. Tudo para constranger o Planalto.

É evidente que Bolsonaro tem condições políticas de mudar o jogo. No entanto, caso continue mantendo o estilo de não negociar com aquilo que chama de "velha política", as chances de derrota seguirão no horizonte. Afinal, o Centrão sabe fazer o jogo da política.


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