Bolsonaro - 100 primeiros dias

autor André Pereira Cesar

Postado em 12/02/2019 11:07:53 - 10:57:00


Mourão durante encontro com representantes da Câmara de Comércio Árabe/Divulgação

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão é protagonista, antagonista ou mero coadjuvante?

Costuma-se definir coadjuvante como aquele que participa e que está ligado direta ou indiretamente com o protagonista. É aquele que interpreta papeis secundários, que desempenha um papel complementar com a função única de ajudar o protagonista, no exercício de suas funções, a atingir seus objetivos.

Ao contrário do coadjuvante, o protagonista é quem detém a função principal. É aquele que possui o papel relevante ou de destaque numa determinada situação ou acontecimento. O protagonista possui traços e características muito bem definidas como, por exemplo, ser movido por um objetivo ou dever, ser leal a causa, família e aliados, de ser valente e corajoso e de transmitir confiança ou simpatia.

Já o antagonista é o rival do protagonista. É o adversário, o opositor que, em determinado momento da história, certamente enfrentará o protagonista.

Pois bem.

Tem chamado a atenção de muitos a desenvoltura do vice-presidente, Hamiltom Mourão, no Planalto. Com pouco mais de um mês de administração, ele ocupou interinamente por duas vezes a presidência. E já imprimiu sua marca.

A atuação de Mourão não é novidade na história brasileira. Outros vices se destacaram na cena política. De João Goulart a Michel Temer, passando por Aureliano Chaves, Itamar Franco e José Alencar, a vice-presidência sempre foi palco de movimentos relevantes.

Na verdade, o atual vice-presidente apenas explora um espaço que não está sendo ocupado pelo presidente Bolsonaro, que ainda age, para muitos, como se estivesse em cima de um palanque em plena campanha eleitoral. Ao negociar com a CUT, receber diplomatas de diferentes países e opinar sobre questões delicadas como a reforma da Previdência e das relações diplomáticas relativas ao comércio exterior, Mourão se coloca no centro do debate político com a intenção, ou não, de se apresentar como um porto seguro em meio a tantas idas e vindas nesse início de governo.

É evidente que o protagonismo do vice gera incômodo. Os três filhos de Bolsonaro (Flávio, Eduardo e Carlos), que exercem grande influência sobre o presidente, não escondem a irritação. Também o "guru" de Bolsonaro, o auto-intitulado filósofo Olavo de Carvalho, já tornou públicas suas desavenças com Mourão.

E a atitude, de tentar ser protagonista na condução de delicados temas nesse início de governo, acabou por incomodar boa parcela dos eleitores de Bolsonaro, que nas redes sociais não perdoaram o vice, ao imputá-lo a pecha de comunista e de que não passa de um agente infiltrado no governo a mando do PT.

Mas, apesar de todo o embaraço, conta a favor do vice seu prestígio junto aos militares. O currículo e o bom relacionamento com seus pares servem de anteparo para os ataques dos desafetos. Mourão tem plena consciência desse respaldo, que realimenta seu protagonismo.

Também o mercado tem reagido bem aos movimentos do vice. Em momento algum suas colocações entraram em choque com o pensamento liberal, tão caro ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Ao contrário, os dois tem demonstrado, publicamente, verdadeira sintonia.

Agora, Mourão afirma que a reforma da Previdência pode ser aprovada em agosto. Otimismo que repercute na grande imprensa, que tem no vice, como já dito, uma fonte segura e avalizada.

Tão logo se recupere da cirurgia, o presidente Bolsonaro reassumirá o comando no Planalto e o protagonismo das decisões nacionais. A grande questão que emergirá diz respeito ao relacionamento entre os dois. Um conflito político pode estar se delineando no horizonte. Protagonismo, antagonismo ou mero coadjuvante político?


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