Onde foi parar o seu último celular?

autor Vitória Colvara

Postado em 20/11/2018 10:33:36 - 10:14:00


Lixo eletrônico como celulares precisam ser descartados em locais adequados/Arquivo/Teknoblog

Os dados são preocupantes, porque são resíduos da mais alta complexidade e extremamente tóxicos

É muito provável que na sua casa haja uma gaveta cheia de produtos eletrônicos que não funcionam mais ou que você simplesmente parou de usar por ter adquirido algo mais moderno. A lista é extensa e vai desde notebooks até aqueles carregadores velhos com fios muitas vezes à mostra. Agora tenta imaginar essa mesma gaveta na casa de milhões de brasileiros ou em milhares de lojas de consertos espalhadas por aí? Conseguiu chegar a algum número? Não?!

Pois é, um estudo chamado “The Global E-Waste Monitor” onde “waste” significa lixo e “E” significa eletrônico, nos trouxe alguns números minimamente catastróficos e assustadores. De acordo com esse minucioso relatório, o Brasil - que só no último ano descartou de maneira inadequada 1,5 mt (milhões de toneladas) de resíduo eletrônico -, ocupa atualmente a 7ª posição no ranking dos países que mais geram esse lixo ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha e Reino Unido.

Os dados são preocupantes ainda mais se considerarmos que se tratam de resíduos da mais alta complexidade, compostos em sua maioria de metais preciosos e ao mesmo tempo extremamente tóxicos e prejudiciais a saúde e ao meio ambiente. A ineficiência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305 de 2010), culminada com a falta de responsabilidade das empresas e dos gestores públicos responsáveis pela coleta de lixo, tem contribuído para essa situação.

Mas não adianta tentarmos eleger os culpados. Somos nós, cidadãos comuns, quem consumimos de maneira desenfreada tais produtos assim que são lançados no mercado. Também somos nós que não nos preocupamos sequer com o descarte correto das pilhas e baterias, embora vários prédios e bairros já contem com postos de coleta específicos. Para além de medidas legais, faz-se cada vez mais necessária uma reflexão pessoal, que perpassa, sobretudo, pela maneira como educamos nossas crianças. Ao invés de nos preocuparmos somente com o tipo de planeta que deixaremos aos nossos filhos e netos, deveríamos também nos preocupas com o tipo de filhos e netos que estamos colocando para habitar esse planeta.

As famigeradas gerações “y” e “z” que dedicam mais da metade do seu tempo às redes sociais e jogos eletrônicos e que já sentem todos os sintomas de ansiedade e depressão, sequer conseguem diferenciar uma berinjela de uma beterraba e seguem (in)felizes desfilando pelos corredores dos shoppings centers com seus smartphones de última geração.

São admiráveis os avanços da tecnologia, mas assim como ocorre com a indústria têxtil, automobilística, e de tantos outros bens de consumo, ela também reflete a tal da obsolescência programada, que mereceria um artigo específico, mas que em termos gerais significa a programação de produtos para serem rapidamente substituídos por novos.

Repense o seu consumo de eletrônicos e principalmente o descarte daqueles aparelhos que já se tornaram inúteis. Essa ecochata que vos escreve, o faz a partir do seu notebook adquirido em 2009 como presente por iniciar a faculdade. Continua em pleno funcionamento e apesar de um pouco lento, segue atendendo perfeitamente às minhas necessidades.

Para que eu não seja vista como tão pessimista pelos meus caros leitores, vou deixar um link aos interessados, de uma empresa que realiza a reciclagem desses resíduos em Brasília. Além dela existem outras, basta pesquisar e continuar na luta para que essa coleta seja feita pelos gestores públicos.


AO VIVO - Câmara Legislativa do DF
Festa de aniversário de João de Deus que agora é acusado de molestar mulheres
veja +
Debate nesta terça-feira diminuição de açúcar adicionado a bebidas não alcoólicas
Ibaneis diz que o secretariado é mais técnico do que político
Deputados fazem esforço concentrado nesta semana no plenário
veja +