Adote seu copo!

autor Vitória Colvara

Postado em 18/11/2018 11:06:34 - 10:49:00


O canudinho virou um problema ambiental que ameaça inclusive os oceanos/Arquivo/Primeira Pauta

A verdade é que somos bombardeados de informações em todas as searas de nossas vidas

A primeira vez que me deparei com essa frase ela estava escrita em espanhol e eu morava em Salamanca, em 2009. Lá, desde essa época, a preocupação em reduzir a utilização de plásticos já era latente. Por aqui a situação ainda estava um pouco devagar e no imaginário das pessoas um copinho a mais, outro a menos não seria capaz de causar tantos estragos. Ledo engano.

Eu acompanhei, desde a infância, a evolução dos canudinhos plásticos. No início eram fininhos, com o passar do tempo, alguém propagou a ideia de que tais canudinhos ficavam muito expostos à sujeira e eis que surge um gênio da lâmpada que cria uma micro embalagem plástica para envolver os tais canudos. Aí as empresas passam a comprar milhares de canudos plásticos envolvidos em micro embalagens plásticas entregues numa outra embalagem plástica ainda maior para abarcá-los.

E nisso se perpetua a ideia de limpeza e higiene vinculada aos canudos como se encostar a boca no copo ou na lata fosse causar uma contaminação gravíssima. Aí a pessoa que sempre tomou sua cerveja ou refri na latinha escuta aquela tia que diz: “usa o canudinho, teve uma garota que bebeu direto na lata e pegou leptospirose, passam ratos na lata”. Sempre que escuto isso tenho vontade de dizer para as pessoas que nós comemos ratos indiretamente. Há pela vigilância sanitária um limite ‘aceitável’ de pelos de roedores, limite esse que na semana passada foi ultrapassado por várias marcas de extrato de tomate, mas isso já é tema para outro artigo.  

O que quero deixar bem claro é que tudo nessa vida se resume a uma palavra muito simples: hábito. E se enganam aqueles que pensam que possuem pleno controle sobre suas decisões e seus hábitos diurnos. A verdade é que somos bombardeados de informações em todas as searas de nossas vidas e até os nossos gostos, que temos tanta certeza de serem nossos, são totalmente influenciados pelos outros. Então do mesmo jeito que você se acostumou a chupar no canudinho, porque sempre fez assim, porque é prático, porque todo mundo faz, você pode se desacostumar.

O mesmo acontece com os copos plásticos. Para as mulheres, torna-se até mais fácil adotar um copo ou uma garrafa. Por sempre andarmos com bolsas, muitas vezes maiores do que o necessário, a falta de espaço não pode ser alegada como desculpa. Para os homens, além da possibilidade de levar na mochila, já existe no mercado, há bastante tempo por sinal, aqueles copinhos retráteis que cabem no bolso. Basta querer mudar. Basta ter força de vontade e uma pitadinha de consciência para compreender que o abandono dos plásticos é fundamental para o meio ambiente e, mais ainda, para a nossa saúde.

Já existem inúmeros estudos na área da saúde que apontam os riscos de tomar bebidas quentes em copos descartáveis. O calor libera determinadas substâncias que, consumidas em longo prazo, são capazes de intoxicar nosso organismo. De acordo com a ONU, o plástico representa 80% de todo o lixo encontrado nos oceanos. Ou seja, aquele copinho ou canudinho que você usou por não mais que 10 minutos, provavelmente, dada o nosso precário sistema de reciclagem, continua por aí, poluindo a natureza e causando danos irremediáveis às espécies da fauna e flora marinha.

Dentre as inúmeras práticas sustentáveis, a de adotar um copo no seu ambiente de trabalho e até no seu dia a dia, me parece ser a menos trabalhosa e mais tranquila de todas. Aqueles que lutam para reduzir sua pegada ecológica no planeta se deparam com grandes desafios como: reduzir o consumo de carne e derivados animais, separar o lixo doméstico, abandonar as sacolas plásticas no supermercado, usar menos o carro, substituir as fraldas descartáveis dos bebês e os absorventes femininos entre tantos outros que, aos olhos dos mais acomodados com a realidade posta, parecem atitudes impossíveis de serem tomada.

A verdade é que se em 2009 isso me foi apresentado como uma opção ou uma escolha sustentável, hoje eu já encaro como uma obrigação, um dever para com as pessoas e o meio ambiente. Aceite o desafio de passar pelo menos 21 dias evitando ao máximo a utilização de descartáveis. Dizem os especialistas que levamos em média esse tempo para transformar alguma conduta em hábito. A nossa legislação já tem se encaminhado pra isso, é melhor se acostumar logo. Nossos filhos e netos agradecem! 


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