Vilões, famílias e mentiras nos filmes que estreiam nesta quinta

autor Misto Brasília

Postado em 15/11/2018 08:57:42 - 08:53:00


Rosanne Muholland e Marcos Veras: par romântico no filme Tudo acaba em festa/Divulgação

Resenha mostra que Johnny Depp tem um papel importante em Animais Fantásticos

Veja um resumo dos principais filmes que estreiam nesta quinta-feira (15). A dica é de Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb.

Animais fantásticos – os crimes de Grindelwald

Johnny Depp, que só fazia uma pontinha em “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (2016), ocupa espaço de destaque como o grande vilão da sequência da nova franquia do universo Harry Potter, “Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald”.Na pele de Gellert Grindelwald, Johnny Depp encarna um bruxo maligno e maldito, encarcerado com segurança máxima e até requintes de crueldade. O esquema falha fragorosamente numa transferência do prisioneiro, quando ele consegue escapar para colocar em prática um plano de dominação do mundo.

Enquanto isso, o simpático magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) tem sua própria pendência. No momento, ele está proibido de viajar depois que seus estranhos bichinhos causaram a maior destruição em Nova York em sua última passagem.

Evidentemente, todos sabem que Newt vai, novamente, desobedecer às regras, ainda mais sendo estimulado por ninguém menos do que Albus Dumbledore (Jude Law), o mestre de Hogwarts – preocupado com as movimentações do jovem Credence (Ezra Miller), um órfão que busca saber a verdade sobre sua família e já despertou o interesse de Grindelwald.

O grande circo místico

Um dos nomes fundamentais do Cinema Novo, Cacá Diegues voltou neste ano a Cannes, festival de que participou da competição três vezes, nos anos 1980 (com “Bye Bye Brasil”, “Quilombo” e “Um Trem Para as Estrelas”), desta vez fora da disputa de prêmios com seu drama musical “O Grande Circo Místico”. Coprodução com Portugal e França, o filme foi escolhido como representante brasileiro para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro.

O roteiro, do próprio Cacá e George Moura, expande um poema de Jorge de Lima, e acompanha várias gerações de uma família circense, a partir de 1910. Amparado nas belíssimas músicas de Chico Buarque de Holanda e Edu Lobo para o musical homônimo dos anos 1980, o filme ostenta visível ambição técnica e visual para materializar sonhos. Uma das características mais evidentes deste registro em busca do fantástico é o personagem de Celavi (Jesuíta Barbosa), mestre de cerimônias do circo que acompanha as diversas gerações ao longo do tempo sem envelhecer – e é uma das presenças mais carismáticas da história, como alívio cômico inclusive. Nem tudo o mais funciona tão bem, especialmente o ritmo dramático e os estereótipos das personagens femininas.

Em chamas

Adaptando obra do escritor japonês Haruki Murakami, o cineasta Lee Chang-dong explora muitos gêneros num filme impactante, que foi indicado para representar a Coreia do Sul na disputa de uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro.

São três protagonistas jovens: a moça Haemi (Jun Jong-seo) e dois homens, o rico Ben (Steven Yeun, da série “The Walking Dead”) e o desempregado Jongsu (Yoo Ah-in). Não se trata de um mero triângulo amoroso e sim de um jogo de verdades e mentiras, exercido nos mínimos detalhes – inclusive a existência, ou não, de um gato de estimação, cujo cuidado dá início ao próprio relacionamento entre Haemi e Jongsu.

Na verdade, os dois se conheceram na infância e se reencontram, anos depois. Depois de uma noitada, ela, que vai viajar à África, pede ao amigo que cuide de seu gato em sua ausência. O fato de que esse gato nunca é visto quando Jongsu vem alimentá-lo coloca em dúvida o que é digno de ser acreditado, ou não. Tudo depende de como se constrói a versão – e Jongsu é um aspirante a escritor, por isso, morde a isca.

Verão

Filmado num belíssimo branco e preto (fotografia de Vladislav Opeliants), o novo filme de Kirill Serebrennikov, concorrente na competição principal de Cannes 2018, reconstitui a cena roqueira da Leningrado dos anos 1980, então liderada por Mayk Naumenko (Roman Bilyk), Viktor Tsoy (Teo Yoo) e sua turma.

Trinta e oito anos atrás, esses dois foram protagonistas de uma onda pop, que se nutria das maiores influências do rock ocidental – Lou Reed, The Clash, Bob Dylan, T-Rex, Joy Division, Blondie, tudo valia. Nascido em 1955, Mayk era uma espécie de estrela do clube local, seguido por uma legião de fãs. Ao seu lado, sempre a mulher e musa Natasha (Irina Starshenbaum) – em cujas memórias, aliás, o filme é inspirado. E o próprio Mayk apadrinha o novato Viktor, mais lírico e seu admirador, e que termina atraindo o interesse de Natasha.

Tudo acaba em festa

Festa de fim de ano da firma é tudo igual, só muda de endereço. Filme sobre o assunto, também. Por isso, esta comédia nacional mais parece uma reciclagem de todos os clichês do gênero, sem qualquer inspiração, ou mesmo esforço para ser realmente engraçada. Estão aí os funcionários que bebem demais, dão vexame, sobem no palco, ou colocam para fora todos os sapos que engoliram nos últimos tempos.

Marcos Veras é um bom ator (especialmente no “Porta dos Fundos”), mas que não se encontrou no cinema, seja na comédia (“Copa de Elite”), ou no drama (“O Filho Eterno”). A bem da verdade, porém, não é culpa dele o que há de ruim no filme, no qual interpreta um funcionário de RH desregrado cujo emprego dependerá do sucesso da festa.

Dirigido por André Pellenz, o filme começa com o protagonista acordando atrasado e narrando sua rotina, um início fraco do qual o longa jamais se recupera. Limitar-se a colocar na tela clichês do mundo corporativos não foi uma boa saída.


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