Mini adultos ou apenas crianças?

autor Vitória Colvara

Postado em 13/11/2018 10:20:31 - 10:10:00


Sâmya Abreu declamou um cordel sobre a Lei Maria da Penha/Reprodução/Vídeo

Nós, como adultos, precisamos parar de tratar as crianças como incapazes e até mesmo inferiores

Recebi essa semana um vídeo fantástico: uma garotinha de no máximo 6 anos de idade, chamada Sâmya Abreu, declama um cordel de Tião Simpatia sobre a Lei Maria da Penha. Ao todo dura seis minutos e a menina não abre margem para nenhuma falha, nenhuma correção, nenhum ajuste. O texto estava perfeitamente decorado e foi recitado com plena emoção numa plenária lotada da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo.

Fiz questão de replicar. Em tempo de fakenews e tantas outras porcarias que nos bombardeiam todos os dias pelas redes, nunca perco a oportunidade de distribuir doses gratuitas de esperança, amor e fé na humanidade. Além do encanto da menina, o cordel é bastante pontual e esclarece algumas dúvidas a respeito da legislação que vai muito além do que meramente punir uma agressão.

Uma das pessoas para as quais eu enviei, me respondeu da seguinte maneira: “Nossa, que incrível essa menina. Uma mini adulta”. Não entendi. Pra mim ela não é mini adulta, é apenas uma criança plenamente capaz e cheia de vida. Uma criança com a memória fresca, sem tempo e nem motivos para se preocupar. Uma criança capaz de ler um cordel, compreender uma história e, porque não, recitá-la?

O inofensivo comentário do meu amigo reflete na opinião de uma grande parcela da população. Eu, como uma educadora infantil e eterna admiradora da infância, fase cheia de desafios e descobertas, não consegui deixar de lado o comentário e iniciamos um longo debate virtual a esse respeito.

Nós, como adultos, precisamos parar de tratar as crianças como incapazes e até mesmo inferiores. Sim, elas são mais vulneráveis. Sim, precisam de mais proteção. Mas quando fazem algo de surpreendente, não é porque sejam mini adultas ou superdotadas, talvez é simplesmente por serem crianças, livres e felizes.

Temos que deixar de lado esse nosso egocentrismo mesclado com um antropocentrismo e que culmina inclusive no machismo. Superioridade sobre a natureza, superioridade sobre as mulheres, superioridade sobre as crianças.

Ontem, ao subir uma torre de 120 metros para ver um amigo saltar de paraquedas, eu e minha amiga fomos chamadas de muito “machas” por termos tido coragem de subir todos aqueles degraus.

Foi engraçado e acabei não polemizando. Mas nós não somos mais machos que muitos homens, como diz a música. Somos fêmeas mesmo, muito fêmeas, muito mulheres e muito corajosas. Precisamos ressignificar alguns conceitos na sociedade até alcançarmos nosso sonhado ideal de justiça e igualdade.


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