Ciao ou Vrau?

autor Vitória Colvara

Postado em 08/11/2018 14:40:03 - 14:32:00


Dias Toffoli recebe o presidente eleito Jair Bolsonaro no salão do STF/Rosinei Coutinho/STF

Música tocada em praça pública na Itália há 73 anos provoca polêmica com Bolsonaro no STF

Na última quarta-feira (07), Jair Bolsonaro compareceu ao Supremo Tribunal Federal para uma conversa com o ministro Dias Toffoli. Mas o que caiu nas redes não foi o motivo da visita, nem o teor da conversa e sim a participação musical do trompetista por, solenemente, conforme manda o figurino, entoar uma música que, não fosse o momento de instabilidade política, poderia ter passado despercebida pelos ouvidos menos aguçados e pelos não apreciadores desse estilo musical.

Interpretada pelos internautas como uma forma de protesto, a canção escolhida pelo músico foi “Bella Ciao”, hino italiano contra o fascismo cuja origem na verdade se atribui a um imigrante que teria adaptado uma canção judaica. A música foi tocada em praça pública na celebração dos 73 anos da Itália livre do regime nazifascista. E desde seu surgimento já foi traduzida e readaptada por inúmeros países.

O Brasil, é claro, não poderia ficar de fora.  E o funk, estilo musical bastante emblemático, totalmente polêmico que agrada e desagrada ao mesmo tempo um sem número de pessoas, teve que dar sua contribuição nesse processo cultural que muitos chamam de releitura musical, mas que, como tudo nessa vida, suscita debates, discordâncias e argumentos de todos os lados.

Fato é que desde a publicação do vídeo no qual o presidente desce do carro ao som do trompete, teve gente que cantou “Uma manhã, eu acordei, e ecoava ele não, ele não, não, não; uma manhã, eu acordei e lutei contra o opressor”, outros se lembraram da famosa miniserie da NetflixLa casa de Papel” e já os que se consideram  mais cultos esbravejaram a versão original “Una mattina mi son' svegliato; O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao; Una mattina mi son' svegliato; E ho trovato l'invasor”.

Mas, como estamos no país do futebol, do carnaval, do samba, da favela e do calor, rolou até briga na internet, porque muitíssimos internautas falaram que esse negócio de hino era balela de petista e atribuíram a autoria da música a nada mais nada menos que Mc MM que poeticamente compôs a seguinte letra: “essas malandra, assanhadinha, que só quer vrau, só quer vrau, vrau vrau; vem pra favela, ficar doidinha, então vem sentando aqui...”

Com isso fica a imensa reflexão acerca do poder da música, mas, sobretudo, da excelentíssima importância das palavras. Afinal de contas como já diria Lavoisier, “nada se cria, tudo se transforma”.


Temer diz em pronunciamento que torce pelo novo presidente
Governadores eleitos e reeleitos entregam carta a Bolsonaro
veja +
Universidades apoiam criação de fundo patrimonial, mas criticam trechos da MP 851
Comissão aprova isenção de IPVA a ex-proprietário de veículo
Excesso de peso em bagagens no transporte aéreo pode ter novas regras
veja +