Governo em construção: base aliada

autor André Pereira Cesar

Postado em 08/11/2018 13:08:50 - 12:55:00


Parte da bancada do PSL comemora após encontro com Bolsonaro/Reprodução/Vídeo

A base de sustentação começará por seu partido, o PSL, que de nanico passou ao segundo posto

Um dos desafios do governo Bolsonaro será o de montar, a curto prazo, uma base aliada que dê condições para que a agenda do novo presidente tenha condições políticas de ser aprovada. Mais ainda, essa base de sustentação precisará manter unidade e coesão ao longo do tempo.

O quadro de fragmentação do Congresso Nacional dificultará o trabalho do presidente eleito. Na Câmara dos Deputados, nada menos que 30 partidos conquistaram cadeiras no segundo pleito de outubro. No Senado Federal, serão 21 legendas com assento na Casa. A pulverização, com partidos tradicionais dividindo espaço com novas agremiações, muda o eixo das negociações.

A base de sustentação de Bolsonaro começará por seu partido, o PSL, que de nanico passou ao segundo posto entre as bancadas da Câmara. A agremiação pode ainda crescer mais, atraindo deputados de legendas menores. O importante, para o presidente eleito, será conter as disputas internas por espaço, que poderão afetar a atuação e a força potencial do PSL.

Um partido que certamente será chamado à mesa de negociações é o MDB. Agremiação chave nos anos pós-redemocratização, o MDB manterá a maior bancada no Senado, mas será apenas médio na Câmara, com pouco mais de trinta deputados. Principal liderança na Câmara Alta, o senador Renan Calheiros (AL) já sinalizou a Bolsonaro que está aberto ao diálogo. As chances de composição são reais.

O mesmo se dá com o PSD, comandado por Gilberto Kassab. O partido integra o grupo no poder desde sua criação, no governo de Dilma Rousseff, e deverá continuar nessa posição. Aliás, Kassab foi indicado para ocupar cargo no primeiro escalão do governo Dória, em São Paulo, o que reforça sua aproximação com Bolsonaro.

O PSDB, por sinal, é outro partido que negociará com o presidente eleito. Com João Dória assumindo a posição de liderança máxima do partido, ao menos uma fração do tucanato poderá caminhar ao lado do novo governo. É claro que lideranças tradicionais, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não farão parte desse novo momento. Sob Dória, a participação no governo Bolsonaro representará etapa importante no processo de reconstrução do PSDB.

O Centrão já conversa com o novo governo. Os partidos que o integram, em linhas gerais, têm afinidade programática com Bolsonaro. A questão, no caso, será definir com equilíbrio a divisão dos espaços na administração que assumirá em janeiro próximo. Essa tarefa terá participação importante de Onyx Lorenzoni, futuro ministro-chefe da Casa Civil e filiado ao DEM, um dos partidos do Centrão.

Aqui cabe um parêntese. A imprensa noticia que um "blocão" está em processo de formação, sob o comando do deputado Arthur Lira (PP-AL). Esse "blocão" seria composto por mais de 150 deputados, a maioria do chamado baixo clero e pertencentes a partidos do Centrão. Lira, por sua vez, sempre manteve boas relações com Bolsonaro na Câmara. Esse bloco parlamentar cairá bem no figurino da nova gestão. 

Como se vê, o presidente eleito tem plenas condições de montar uma base de sustentação minimamente sólida no Congresso Nacional. O principal ponto, de imediato, é dividir espaço e competências entre os partidos. Cargos de segundo e terceiro escalões certamente entrarão na negociação, o que é normal. Os postos de comando no Parlamento também terão peso nas discussões.

Para além da necessidade de aprovar as reformas, que demandam maioria qualificada, a Bolsonaro interessa evitar a repetição do "cenário Collor" - um presidente que, passado o encanto popular com sua eleição, perdeu apoio da opinião pública e foi isolado pelo Congresso. A história tem o que ensinar ao presidente eleito.


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