O anúncio do caos

autor Vitória Colvara

Postado em 03/11/2018 10:02:37 - 08:49:00


Eleitores do presidente eleito Jair Bolsonaro comemoram a vitória em Brasília/Arquivo/EBC

Presidente eleito possui uma legião de fãs, mas que seria inexpressível não fosse a rejeição ao PT

Nesse momento pós eleição é mais do que natural que aqueles que elegeram Jair Bolsonaro comemorem e os que se abstiveram de votar, votaram branco e nulo ou tentaram eleger Fernando Haddad, lamentem. Em 2014 foi parecido, várias pessoas colocaram em suas fotos de perfil a seguinte frase “A culpa não é minha, eu votei em Aécio” como se, de fato, votar em Aécio Neves, envolvido até o pescoço em inúmeros escândalos, isentasse alguém de culpa.

presidente eleito, porém, é diferente de tudo aquilo que sempre entendemos por políticos. Ele é um cara completamente sem noção, que pensa, fala e age como um adolescente no auge da puberdade e que, de fato, ostenta o título de honestidade posto que em quase 30 anos de vida pública, até onde se sabe, não se envolveu em nenhum tipo de acordo corrupto. Também não se envolveu em nada, não aprovou seus projetos, não liderou em comissões e teve uma participação enquanto deputado federal que deixou, e muito, a desejar.

Era tido pelos colegas como “O polêmico”. Comparado diversas vezes ao Datena, daquele tosco programa de televisão, Bolsonaro atraiu holofotes por ser o político que mais gozou da sua imunidade parlamentar para proferir palavras de ódio, homenagear torturador, dizer a uma colega que ela não merece ser estuprada, afirmar que prefere um filho morto a um filho gay, pedir pela volta da ditadura, clamar por uma guerra civil para resolver os problemas do país entre tantas outras declarações que, se feitas por uma pessoa comum, incidiriam numa série de crimes como incitação a violência, difamação, racismo, homofobia, etc...

Críticas à parte, não dispersarei minha energia ao longo dos próximos quatro anos, falando mal do presidente eleito pelo PT. Sim, quando digo eleito pelo PT é simplesmente porque o partido tem imensa contribuição. Desde 1989 esse foi o maior percentual de votos nulos e brancos o que demonstra, de certo, que muitos brasileiros não se sentiram representados por nenhum dos candidatos que chegou ao segundo turno. Ouso afirmar que o presidente eleito possui sim uma legião de fãs, mas que seria completamente inexpressível não fosse a quantidade de pessoas que queriam, simplesmente, tirar o PT do poder. Algo que, na verdade, já ocorreu em 2016 com o impeachment. Mas ok, eu entendo esse sentimento.

Antes mesmo de subir a rampa do palácio após um desfile de posse que, segundo sua equipe de segurança, não será feito em carro aberto, os cientistas políticos de plantão já anunciam o caos. O medo de sofrer outro ataque como o ocorrido em Juiz de Fora é plausível, ainda mais em se tratando do Brasil cujo histórico de morte de pessoas importantes é pano pra manga pra qualquer minissérie. Eduardo Campos, Teori Zavaski e uma Lei de 2014 que torna sigilosa a investigação de queda de avião. Tendo como vice presidente um general que, legalmente, só se submeterá a um capitão após o recebimento da faixa presidencial, acredito que todo o cuidado é pouco.

Em menos de uma semana desde o segundo turno já figuramos as capas dos maiores jornais do mundo e sob as mais ousadas e até mesmo divertidas manchetes como a do jornal britânico The Times: “Jair Bolsonaro promises sênior job to judge Who jailed his rival” ou do italiano que desde já cobra a promessa feita pelo presidente de entregar à justiça italiana o criminoso Cesare Battisti.

Apesar dos pesares, e, tendo sido eleito por uma maioria expressiva com diferença de mais de 10 milhões de votos, espero que as instituições democráticas sejam mantidas, que os jornais não sofram represália ou censura e que em 2022 a seleção brasileira ganhe a Copa do Mundo para fazer jus a tantos manifestantes vestindo, de tempos em tempos, há pelo menos oito anos, a camisa da CBF, para protestar contra a corrupção generalizada do país.


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