Como criar mais com menos

autor Misto Brasília

Postado em 30/10/2018 14:26:06 - 13:10:00


Consultor nascido na Romênia usou a teoria de Pareto aplicada na gestão/Arquivo/Metadados

Na teoria de Pareto, 80% das consequências advêm de 20% das causas; gestão pública não foge à regra

Texto de Renato Candemil 

Quem trabalha com planejamento e implementação de programas e políticas de qualidade e integridade legal, certamente já ouviu falar de Joseph Juran. Consultor nascido na Romênia e criado nos Estados Unidos onde desenvolveu seus trabalhos.

Falecido em 2008 ele ficou famoso nos anos de 1950, pelos trabalhos em gestão da qualidade, onde se transformou em referência tanto para os japoneses, como para todos aqueles que assim como eu, se preocupam com ferramentas de gestão corporativa voltadas para a prática da integridade legal e da qualidade total.

Passado o tsunami eleitoral, é hora de deixarmos a emoção do voto de lado e partirmos para a razão na gestão da coisa pública.

Assim como Juran era fenomenal em aplicar a teoria de Pareto, cujo princípio se baseava em afirmar que 80% das consequências advêm de 20% das causas, a gestão pública deve a meu ver, também aplicar essa máxima. Explico melhor:

O Brasil é um País continental e as grandes transformações futuras, necessárias para o seu desenvolvimento, poderão ocorrer tanto de modo gradual, progressivo e lento, como também de forma repentina, veloz e consistente. Para que essas transformações sejam feitas conforme a segunda opção acima, ou seja, de forma mais rápida, eficaz, com segurança e responsabilidade o tempo precisa ser mais bem utilizado.

Precisamos “pensar o progresso” com “criar mais com menos”, ou seja, ter foco, definir prioridades e com isso encurtar os caminhos e diminuir o tempo gasto com a aplicação da solução encontrada.

A eficiência na administração pública deve ser o rumo a ser seguido por todo aquele que se envereda pelo caminho da gestão pública. Adaptando e trazendo os princípios adotados por Juran na questão de Pareto para a estrutura do Estado Brasileiro atual, podemos inferir que quanto maior a estrutura estatal, maior a incidência e frequência de problemas.

Logo, quanto menor for o tamanho da estrutura organizacional estatal, e por consequência, menor a interferência do Estado na sociedade, menor será a probabilidade de incidência e frequência de problemas que possam afetar essa mesma sociedade.

Perceba caro leitor, que em nosso dia-a-dia, em nossa rotina pessoal e particular, vivemos uma situação onde é fácil constatar que a maioria daqueles problemas que nos afetam ao serem melhor analisados, acabam por ser considerados triviais, pouco importantes e, ao invés de serem imediatamente ignorados e desprezados, acabam por consumir uma enorme carga de tempo em sua solução, virando não poucas vezes, uma fonte de stress.

Nos incomodamos com qualquer coisa. Pequenas atitudes dos outros no ambiente de trabalho, aquele comentário exposto nas redes sociais, ou então uma pequena ação provocada por um terceiro no trânsito, ou seja, qualquer mínima situação corriqueira já é suficiente para nos tirar a paciência e, com isso, disparar um sentimento de indignação ou raiva, consumindo, como já citei, uma enorme carga de tempo e energia em nossa vida.

Em contrapartida, se passássemos a analisar de forma prioritária, aquelas situações realmente graves, aqueles problemas mais importantes, chegaríamos a uma rápida conclusão de que eles são quantitativamente menores e por consequência poderíamos utilizar o tempo anteriormente desperdiçado nas outras situações frívolas, naquilo que realmente importa.

Reflita!

Na administração pública, não é diferente.

Cabe ao Gestor a identificação e visualização dessas situações e assim, priorizando aquelas que realmente são importantes, mais graves, concentrar-se nos esforços para que o problema seja resolvido. Isso é aplicar a teoria de Pareto.

Dedicar-se de forma focada e qualitativa nas soluções daquilo que realmente é importante reduz consideravelmente o tempo desperdiçado naquilo que não é importante.

Não se esqueça: 80% das consequências advêm de 20% das causas.

Então, tenha foco nas causas e não nas consequências. Boa Reflexão!

(Renato Candemil é advogado e escritor)


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