A eleição das redes sociais

autor Misto Brasília

Postado em 29/10/2018 18:29:21 - 17:21:00


Políticos aproveitaram o potencial das redes sociais para se comunicar com o eleitorado/Arquivo

Levantamento em grupos de Whatsapp de cunho político mostrou que apenas 8% eram verdadeiras

Nenhum espaço expressou tanto os extremos das eleições de 2018 como as redes sociais. Com a expansão do acesso à internet e o direcionamento de parte do debate político para esses meios, se multiplicaram os casos de boatos disseminados para impulsionar candidaturas e prejudicas outras. Houve casos de calúnias que envolveram acusações grosseiras, por exemplo, de pedofilia, incesto, tortura, corrupção, homicídio que atingiram candidatos.

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) soube usar como nenhuma outra o potencial das redes sociais. Sem dinheiro e estrutura partidária, ele já vinha há pelo menos três anos direcionando esforços para aumentar a sua popularidade nas redes.

A iniciativa ganhou mais robustez a partir da greve dos caminhoneiros, em maio. E com o aumento da presença de Bolsonaro nas redes, também cresceu a disseminação de notícias falsas. Ao longo de 70 dias de campanha, três agências de checagem apontaram que, dos 123 boatos analisados, 104 prejudicavam o petista Fernando Haddad (PT) - e consequentemente beneficiavam Bolsonaro.

Até mesmo a família do presidenciável participou da divulgação de mentiras. Dois filhos do ex-capitão chegaram a divulgar notícias falsas atribuindo a elaboração de um "kit gay" por parte de Haddad à época em que ele era ministro da Educação.

Uma pesquisa Datafolha apontou que quase metade dos eleitores que usam o Whatsapp diz acreditar nas notícias que recebem pelo aplicativo. Para 47%, as informações que chegam são confiáveis.

O problema é que pesquisas apontam que boa parte desse conteúdo não deveria ser digno de confiança. Um levantamento realizado entre 16 de setembro e 7 de outubro que monitorou 347 grupos de Whatsapp de cunho político mostrou que apenas 8% das imagens poderiam ser classificadas como verdadeiras. 

O próprio Judiciário admitiu que não estava preparado para lidar com tal volume de fake news. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, chegou a afirmar que desejava "imensamente que houvesse uma solução pronta e eficaz" para combater os boatos. "Nós ainda não descobrimos o milagre."


Temer diz em pronunciamento que torce pelo novo presidente
Governadores eleitos e reeleitos entregam carta a Bolsonaro
veja +
Universidades apoiam criação de fundo patrimonial, mas criticam trechos da MP 851
Comissão aprova isenção de IPVA a ex-proprietário de veículo
Excesso de peso em bagagens no transporte aéreo pode ter novas regras
veja +