Ainda há tempo

autor Misto Brasília

Postado em 10/10/2018 09:21:55 - 09:11:00


Cientistas advertem que situação do aquecimento é grave e urgente/Arquivo/Nasa

Caminho para limitar o aquecimento global em relação à temperatura pré-industrial exigirá esforço

Texto de Rita Marques Costa

Nos próximos anos, o aumento da temperatura global vai levar à subida do nível da água do mar, ao aumento dos fenômenos climáticos extremos em número e em intensidade, à destruição de alguns ecossistemas, a perdas na produção de alimentos e por aí em diante.

Tudo isto são certezas quase absolutas para a comunidade científica. Mas há uma forma de, pelo menos, atenuar estas alterações: limitando o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius em relação aos valores pré-industriais.

E, apesar de exigir um esforço significativo, ainda é possível fazê-lo, diz o último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) divulgado no início da semana.

O relatório mostra como o aumento da temperatura em relação ao período pré-industrial em 1,5 graus Celsius e não em dois graus Celsius (valor limite apontado no início da década) pode contribuir para atenuar os efeitos nefastos do aquecimento global no ambiente, na saúde, biodiversidade, produção de alimentos e condições de vida.

Caso tudo se mantenha como agora, “o aquecimento global deve atingir os 1,5 graus Celsius entre 2030 e 2052”, aponta este relatório. “Uma das principais mensagens do documento é que já estamos vendo as consequências do aquecimento global em um grau Celsius, com temperaturas mais extremas, aumento do nível do mar e diminuição do gelo do Ártico”, disse Panmao Zhai, um dos representantes do IPCC envolvido na elaboração do documento.

Em 2017, o Acordo de Paris já referia a necessidade de limitar a subida da temperatura em valores bem “abaixo dos dois graus Celsiuas” e a prosseguir esforços para “limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius”.

O problema, lembra ao site Público o responsável da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, “era saber se era ou não viável chegar aos 1,5 graus Celsius”.

Algo que o IPCC resolveu agora ao provar que sim depois de analisados mais de seis mil estudos científicos produzidos nos últimos anos - um trabalho feito por 91 cientistas e revisto por milhares de especialistas e representantes de vários governos. “Há um antes e um depois do relatório. Temos os países e a comunidade científica a assumir esta realidade.”

O caminho para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius em relação à temperatura pré-industrial exigirá algum esforço. O relatório diz mesmo que é algo que “requer uma transição rápida e profunda nos sectores da energia, uso do solo, urbanismo e infra-estruturas (incluindo transportes e edifícios) e sistemas industriais”.

Estas alterações “não têm precedentes em termos de escala”. E mais: “Implicam reduções profundas nas emissões de todos os setores, um portfólio alargado de opções de mitigação e um aumento significativo no financiamento dessas opções”.

(Rita Marques Costa é repórter do Público)


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