O PSDB depois das eleições

autor André Pereira Cesar

Postado em 21/09/2018 16:16:49 - 16:06:00


Partidários tucanos de Geraldo Alckmin fazem bandeiraço hoje em São Paulo/Divulgação

Partido foi afetado pelas investigações da Lava Jato e sente falta de renovação de seus quadros

Protagonista da cena política desde a década de noventa, o PSDB vive um momento difícil. A candidatura presidencial não decolou e em diversos estados o partido enfrenta dificuldades. Qual o futuro do tucanato?

A esperada reação de Geraldo Alckmin (PSDB) não se materializou. Ao contrário, o candidato perde espaço nas pesquisas de intenção de voto e encontra-se no bloco intermediário. Nem mesmo a ampla coligação e o tempo de propaganda em rádio e televisão conseguiram surtir efeito. O processo de "cristianização" já está em curso.

Tanto que deputados do chamado “centrão” (DEM, PP, PR, PRB e SD) já começaram a abandonar a candidatura Alckmin.

Na eleição presidencial de 2006, Alckmin chegou a ter mais de 40% das intenções de voto. Hoje, tem pouco mais de 5%. Existe razão para esse derretimento.

O PSDB sente falta de renovação de seus quadros. Além disso, o partido também foi afetado pelas investigações da Lava Jato (Beto Richa, importante liderança tucana, por exemplo, foi preso em pleno período eleitoral). Por fim, o eleitorado de maior grau de escolaridade, que em geral votava no partido, optou agora por outras candidaturas. Em suma, o PSDB está longe de empolgar o eleitor, seja em que faixa for.

Soma-se a isso a divisão interna. A começar pela recusa, por parte de Alckmin, em realizar prévias para escolha do candidato do PSDB à presidência. Esse fato levou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), em recusar receber o tucano Alckmin no Amazonas. Outro ponto foi a queda de braço com o então prefeito da cidade de São Paulo, João Dória que acabou por esgarçar a relação entre os dois. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ajudou a piorar a situação quando declarou que votará em Fernando Haddad (PT) na hipótese deste chegar ao segundo turno. Outras lideranças importantes, como Tasso Jereissati, simplesmente não deram as caras na campanha de Alckmin. Os sinais de que algo não anda bem no ninhos dos tucanos estão aí para quem quiser ver.

Outro risco para o partido está na disputa pelo governo paulista. O PSDB governa São Paulo desde 1995 e, pela primeira vez, essa hegemonia está em xeque. O ex-prefeito João Dória (PSDB) disputa voto a voto com Paulo Skaf (PMDB) e o resultado é imprevisível. Uma eventual derrota de Dória agudizará uma crise que já está em curso.

Em outros estados importantes nos quais o PSDB disputa o governo, como Ceará, Bahia e Goiás, as chances de vitória são difíceis. A grande esperança dos tucanos está em Minas Gerais, onde Antônio Anastasia (PSDB) tenta retomar o governo, hoje nas mãos do petista Fernando Pimentel.

Diante desse quadro, o PSDB corre o sério risco de esvaziamento após as eleições. Para evitar esse desmonte, os tucanos devem seguir o exemplo do DEM, que buscou, com relativo sucesso, renovar suas lideranças depois do fracasso nas eleições de 2014. Também vem à mente o atual estágio das lideranças do PT, que deve muito de sua sobrevivência nessas eleições ao capital político do ex-presidente Lula.

O PSDB precisa se reinventar para não cair na obsolescência. Do contrário, caminhará a passos largos para se tornar mais uma agremiação entre tantas outras na cena política. Candidata da Rede afirmou que unir todos em torno do PSDB é a mesma dificuldade que o PT.

A candidata da coligação Rede-PV, Marina Silva, voltou a rebater a tese de que forças de centro devem se unir, preferencialmente, em torno da candidatura do PSDB, como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para Marina, o apelo em prol da união e a declaração de que o figuro cabe no candidato tucano “talvez não seja a melhor forma de falar em nome do Brasil”. Marina lembrou que o PSDB de Fernando Henrique também vive “as mesmas dificuldades do PT”.


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