Novos desafios na Confederação do Comércio

autor Misto Brasília

Postado em 18/09/2018 17:53:14 - 17:25:00


Adelmir Santana é presidente da Fecomércio-DF e candidato à presidência da CNC/Arquivo/Divulgação

Só uma eleição poderá quebrar o ciclo de domínio de um mesmo grupo político na CNC

As eleições na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no próximo dia 27, pode encerrar um ciclo do “peleguismo” sindical patronal que caracteriza uma das mais importantes entidades de classe do país. Com orçamento anual de R$ 8 bilhões (boa parte vem de recursos públicos), a CNC é uma entidade dominada há quase quatro décadas pelo mesmo grupo político.

Oliveira Santos está na presidência há 38 anos, mas não quer abrir espaços a novos métodos. Para não passar o bastão da renovação, faz campanha para o sucessor José Roberto Tadros, outro que se locupleta há 36 anos no poder, desta vez na Federação do Comércio do Amazonas.

Quebrar essa “tradição” não é uma tarefa fácil. Nas eleições do final do mês, quando votam apenas 28 pessoas, há uma segunda chapa. Ela é encabeçada pelo ex-senador e presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal. Adelmir Santana chega com um discurso de “renovar o sistema”.

O candidato da oposição tem um discurso na ponta da língua: “Renovar, neste caso, se traduz em ações de descentralização do poder dentro da própria CNC. Melhor distribuição dos recursos entre os entes do Sistema, com participação pré-definida para as federações, promovendo uma gestão transparente e participativa".

Mas mudar o que está estabelecido é um desfio até para o próprio processo eleitoral. Hoje, o colégio eleitoral é formado por 27 federações estaduais, cada uma tendo um voto, e por mais sete federações nacionais que votam coletivamente. “Defendo que as federações nacionais, assim como as estaduais, também tenham direito a um voto cada”, Adelmir Santana. 

Veja o que respondeu Adelmir Santana numa rápida entrevista ao Misto Brasília.

Quais suas prioridades e defesa/proposta na eleição do próximo dia 27?

 Melhor distribuição dos recursos entre os entes do Sistema, com participação pré-definida para as Federações, promovendo uma gestão transparente e participativa. Definição de metas e resultados a serem alcançados e a construção coletiva de um novo sindicalismo patronal, onde os empresários sejam mais atuantes e os sindicatos ofereçam mais serviços, apoiados pela CNC na busca por fontes de recursos. Devemos assumir ainda um compromisso com a inovação, certos de que com o auxílio das novas tecnologias poderemos colaborar na modernização dos setores de comércio, serviços e turismo, no fortalecimento de toda cadeia produtiva, na diminuição das barreiras geográficas e, principalmente, na difusão de projetos, programas e empresas conectadas com a geração de emprego, renda e novos ativos. Acredito que está é a CNC que o Brasil precisa.

O senhor acha que a Confederação precisa se modernizar e ampliar o espectro da escolha da direção da entidade, já que se limita aos representantes das federações estaduais? 

A eleição da entidade é feita conforme o próprio sistema está organizado legalmente. Hoje, o colégio eleitoral é formado por 27 federações estaduais, cada uma tendo um voto, e por mais sete federações nacionais que votam coletivamente. Defendo que as federações nacionais, assim como as estaduais, também tenham direito a um voto cada. 

Muitas federações têm dependência financeira da CNC. Há algum modo de alterar essa questão? Dentro dessa linha, há necessidade de um programa e/ou intervenção nas contas das entidades, pois muitas estão sendo investigadas?

A CNC precisa se aliar à sociedade na luta por mais transparência, celebrando convênios com instituições reconhecidas em contribuir para o maior controle da sociedade sobre orçamentos, e com instituições interessadas em uma política de compliance. Proponho mais transparência e melhor distribuição de recursos. Além de Estabelecer novos parâmetros, claros e republicanos, de distribuição dos recursos da CNC para as Federações filiadas, com participação mínima pré-definida. O mesmo modelo deve servir para distribuição dos recursos dos Departamentos Nacionais do Sesc e do Senac para os conselhos regionais, tomando por base o que já ocorre em instituições como o Sebrae, de modo que nenhum Regional ou Federação do Comércio fique a mercê de interesses políticos ou critérios subjetivos. A definição do aporte de recursos às Federações ou Conselhos Regionais do Sesc ou do Senac deve ser, sempre, por motivos técnicos e por definição aprovada pelo colegiado, em discussão aberta e de conhecimento de todos, nunca por decisão isolada nem por decisão ad-referendum.

O longo período de presidência de dirigentes é um problema que a nova gestão terá que enfrentar? 

É um problema sim. Entre as minhas propostas para a CNC está à delimitação dos mandatos. É necessário promover uma alteração estatutária para que seja possível apenas uma eleição e uma reeleição para o presidente da CNC. É necessário estabelecer parâmetros e metas a serem buscadas pela Confederação, pelos Departamentos Nacionais do Sesc e do Senac e por todos os Conselhos Regionais do Sesc e Senac. Criar indicadores que sejam peças de acompanhamento e sirvam como parâmetros de avaliação. Elaboração e divulgação de relatórios gerenciais periódicos, de execução física e financeira, trimestrais, por exemplo.

Nesta crise econômica, de que forma a CNC poderá colaborar com os governos (estaduais e federais) para a sobrevivência do comércio? Existe já uma pauta estabelecida ou ela será discutida a partir das eleições da entidade? 

Nesse ambiente de crise surgem muitas ameaças. Isso não significa, porém, que não existam oportunidades. Para enfrentá-las é preciso agir com protagonismo, planejamento e inovação. Os setores representados pela CNC geram milhares de empregos e um volume gigantesco de impostos arrecadados. Isso impõe que sejamos consultados por qualquer governo, nas mais diversas instâncias de Poder. Temos que ocupar esses espaços estratégicos para sermos, verdadeiramente, do tamanho do Brasil e ajudar o País a sair da crise. Defendo que a CNC contribua para que exista uma maior transparência na gestão pública. Nesse sentido, trabalharei para fomentar o controle social dos gastos públicos, promover a educação fiscal e incentivar a atividade de micro e pequenas empresas por meio da democratização das compras públicas.


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